Financiamento climático atrasado pode causar futuro catastrófico

Enchente no Rio Grande do Sul

A urgência da crise climática é uma realidade, e as recentes enchentes no Rio Grande do Sul são apenas uma amostra dos eventos extremos que estão se tornando mais frequentes devido ao aquecimento global. No entanto, para lidar com esses desafios, é necessário financiamento, e a promessa de apoio financeiro dos países desenvolvidos aos países em desenvolvimento precisa se tornar realidade.

De acordo com a empresa de análise de energia Wood Mackenzie, se os grandes investidores internacionais não apoiarem a transição energética global, a humanidade enfrentará um futuro devastador, com um aumento médio de temperatura de 3°C acima dos níveis pré-industriais. Esse cenário é baseado na projeção de gastos médios de US$ 1,7 trilhão por ano nos próximos cinco anos para a transição energética, um valor que está 55% abaixo do necessário para atingir as metas estabelecidas no acordo climático de Paris de 2015, que defendem o limite de aquecimento de 1,5°C.

O Acordo de Paris determina que os países desenvolvidos devem investir US$ 100 bilhões por ano em medidas de combate às mudanças climáticas e adaptação nos países em desenvolvimento. No entanto, essa determinação não vem sendo cumprida. Durante a COP28 do ano passado, ficou evidente que nenhum grande país estava no caminho certo para cumprir os compromissos alinhados com Paris, e ações políticas e investimentos são necessários para acelerar a transição.

A Wood Mackenzie prevê que o investimento disponível para controlar as emissões globais não é suficiente para manter o limite de aquecimento de 1,5°C até 2027, o que deve levar a um aumento ainda maior até 2032. Além disso, as taxas de juros mais altas e os gargalos na cadeia de abastecimento já aumentaram o custo dos projetos de energia renovável em 10 a 20%. A consultora alerta que, no cenário atual, as adições de energia renovável são abrandadas devido a estrangulamentos na transmissão, o que leva as empresas de serviços públicos a recorrerem a centrais de combustíveis fósseis para equilibrar suas redes.

Enquanto especialistas alertam para a necessidade urgente de mais investimentos em energia limpa e na transição climática, organizações internacionais estão buscando maneiras de mobilizar financiamento para os países mais pobres, que são os que menos contribuíram para o aquecimento global e são os mais afetados por suas consequências. A Stamp Out Poverty propôs a criação de um imposto sobre danos climáticos para empresas de combustíveis fósseis, que começaria com um valor baixo e aumentaria gradualmente ao longo do tempo, gerando cerca de US$ 900 bilhões em financiamento de perdas e danos até 2030.

Além disso, o relatório sugeriu a destinação de US$ 720 bilhões para o financiamento internacional de perdas e danos e os restantes US$ 180 bilhões para um “dividendo interno” para apoiar as comunidades afetadas pela transição energética nos países ricos. A proposta é considerada a forma mais justa de aumentar as receitas do fundo de perdas e danos e garantir que ele seja adequadamente financiado.

Enquanto discutimos a necessidade de investimentos e financiamento para combater a crise climática, também é importante ressaltar o papel dos grandes bancos internacionais, que continuam financiando bilhões de dólares em combustíveis fósseis, mesmo sabendo que isso contribui diretamente para o caos climático e afeta especialmente as comunidades nos países em desenvolvimento.

Portanto, é urgente que os bancos fechem as torneiras desse financiamento e invistam em energia limpa e na transição climática. Além disso, é essencial que os governos direcionem fundos públicos para esses investimentos. O apetite por ação climática está crescendo, mas é necessário que haja uma disposição real de pagar por isso e de parar de lucrar com a destruição do meio ambiente.

Em um momento em que os impactos das mudanças climáticas estão cada vez mais evidentes, é primordial que os países cumpram seus compromissos e apoiem financeiramente as medidas necessárias para lidar com a crise climática. Somente assim poderemos evitar um futuro devastador e garantir a sustentabilidade do planeta para as futuras gerações.

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