Caetité: Pioneirismo na Coleta Seletiva de Resíduos Orgânicos no Brasil
A prática da coleta seletiva de resíduos orgânicos ainda enfrenta grandes desafios no Brasil. No entanto, a cidade de Caetité, na Bahia, está se destacando ao implantar um projeto inovador de coleta porta a porta de resíduos orgânicos domésticos. Com uma população estimada de aproximadamente 54 mil habitantes, segundo o IBGE, a cidade no semiárido baiano está lançando um exemplo inspirador para outras regiões do país.
Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), cerca de 50% do lixo produzido no Brasil é composto por resíduos orgânicos, como restos de alimentos e resíduos de podas e jardins, que geralmente são descartados em aterros com lixo comum, liberando o gás metano, um dos principais gases de efeito estufa. O programa de Caetité visa desviar esses resíduos da destinação inadequada, transformando-os em composto orgânico, reduzindo, assim, as emissões e o volume de lixo nos aterros.
Na cidade, a coleta e a compostagem dos materiais recolhidos acontecem no bairro Alto do Cristo, sob a responsabilidade da cooperativa de catadores COOPERCICLI, que tem mais de uma década em atividades de reciclagem. O projeto porta a porta acontece em um momento estratégico, durante a Semana da Compostagem, uma mobilização nacional destinada a promover práticas sustentáveis para resíduos orgânicos.
Apoio Técnico e Objetivos do Projeto
A iniciativa tem apoio técnico do Instituto Pólis, por meio do programa Brasil Composta Cultiva, que auxilia na gestão de resíduos orgânicos em diferentes municípios brasileiros. O principal objetivo é diminuir a quantidade de resíduos orgânicos urbanos enviados aos aterros, incentivar sua reciclagem, mitigar emissões de gases como o metano, e fortalecer projetos municipais de compostagem de grande alcance.
George Euzébio, coordenador da COOPERCICLI, destacou a importância do projeto: “A compostagem é crucial para a agenda ambiental, pois reduz diretamente as emissões de gases de efeito estufa e os custos com destinação de resíduos a aterros”. Já Victor Argentino, coordenador de projetos do Instituto Pólis, afirma que o envolvimento dos catadores representa uma oportunidade estratégica para expandir a reciclagem, reforçando a importância de uma transição justa na gestão de resíduos.
Educação Ambiental e Participação da Comunidade
O programa em Caetité é acompanhado por uma campanha de conscientização ambiental. Catadores recebem capacitações para interagir diretamente com os moradores durante as recolhas. Cartilhas, banners e campanhas nas redes sociais da cooperativa são utilizados para promover a educação ambiental e engajamento da população.
Para o Instituto Pólis, a experiência de Caetité demonstra que é viável implementar modelos circulares de gestão de resíduos orgânicos em larga escala, valorizando o papel dos catadores e incentivando o desenvolvimento econômico e a participação comunitária.
Modelos Inspiradores no Brasil
No Brasil, poucos exemplos de coleta seletiva de resíduos orgânicos em escala urbana podem ser citados. Florianópolis é uma referência por oferecer esse serviço à população, porém, operado por empresas públicas. Outras iniciativas, como em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, mostram programas específicos para locais limitados ou resíduos específicos, como de feiras livres. Há também oportunidades privadas, onde moradores podem contratar a coleta de resíduos orgânicos em suas residências.
Com esse projeto, Caetité emerge como um modelo exemplar, mostrando o potencial para iniciativas sustentáveis na gestão de resíduos orgânicos no país. O fortalecimento desse tipo de ação pode proporcionar um futuro mais sustentável e consciente para o Brasil.








