São Paulo lança iniciativa para preservar araucárias em risco de extinção
A ameaçada araucária, ou pinheiro-brasileiro, nativa das regiões Sul e Sudeste do Brasil, pode enfrentar uma extinção significativa até 2070, conforme análise da Universidade de Reading, no Reino Unido. Preocupado com essa possibilidade, o Governo do Estado de São Paulo lançou um edital inovador para incentivar a preservação dessa espécie emblemática.
Esforços para conservação da araucária
Para enfrentar a ameaça que a araucária (Araucaria angustifolia) enfrenta devido à destruição de habitat, exploração madeireira e mudanças climáticas, o governo de São Paulo introduziu o programa Pagamento por Serviços Ambientais Araucária (PSA Araucária). O edital prevê que produtores rurais e organizações que se dedicam à preservação desta árvore podem ser recompensados com até R$ 36 mil e R$ 250 mil, respectivamente.
A araucária, que há muito tempo simboliza a Mata Atlântica e é responsável por produzir o nutritivo pinhão, desempenha um papel econômico crucial. No Paraná, essa cadeia produtiva movimentou R$ 25,7 milhões em 2024, beneficiando pequenos agricultores.
Como participar do programa
O PSA Araucária é aberto a organizações como ONGs, associações e cooperativas que tenham atuado por pelo menos um ano na conservação da araucária, principalmente em Cunha. Produtores rurais interessados deverão apresentar uma série de documentos que comprovem sua ligação com os imóveis rurais, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a Declaração da Gestão do Parque Estadual Serra do Mar, Núcleo Cunha.
Além disso, os participantes devem submeter documentação que comprove sua identidade e vínculo com a área rural envolvida. Os critérios ambientais necessários para participar do programa também devem ser atendidos.
Iniciativa visa desenvolvimento sustentável
A Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do estado, formulou o edital do Pró-Araucária para promover a restauração e utilização sustentável do pinhão. Parte dos esforços inclui a flexibilização das normas de coleta do pinhão, permitindo sua coleta antes do tradicional prazo de 15 de abril.
A bioeconomia recebe um impulso através do pagamento por serviços ambientais, incentivando práticas como conservação de árvores, plantio de novas mudas, restauração de áreas de conservação e criação de pomares. Euza Monteiro, residente de Cunha, destaca a relevância de tais ações: “Plantar e cuidar é essencial, porque sem isso, o pinhão pode desaparecer.”
Foco no pinhão em Cunha
O projeto inicial será conduzido na Zona de Amortecimento do Parque Estadual da Serra do Mar, em Cunha, que responde por mais de 95% da coleta de pinhões no estado. Entre 2023 e 2025, produtores da região coletaram mais de 1.100 toneladas dessa semente.
O edital prioriza pequenos produtores e agricultores familiares, além de organizações sem fins lucrativos que atuem na proteção da araucária e na cadeia produtiva do pinhão. Rodrigo Levkovicz, da Fundação Florestal, enfatiza a importância de soluções sustentáveis que envolvam as comunidades locais na conservação dessa árvore vital para a Mata Atlântica.
São Paulo já implementou 61 iniciativas de PSA, beneficiando aproximadamente 1,4 mil famílias através de programas de conservação e manejo sustentável, como o PSA Mar Sem Lixo e o PSA Guardiões das Florestas.
Fonte da Notícia: Guia Região dos Lagos








