Secretário de Iguaba Grande é Detido Após Confusão em Fiscalização Noturna
Na noite de domingo (3), uma operação de fiscalização no Bar da Feirinha, situado no Centro de Iguaba Grande, resultou em tumulto e levou à prisão do secretário municipal de Defesa Civil e Proteção Animal, popularmente conhecido como Júnior Bombeiro. A ação, conduzida por agentes da Secretaria de Ordem Pública, visava a redução do volume do som no local.
Confronto e Acusação de Agressão
Durante a abordagem, Júnior Bombeiro teria apresentado resistência à solicitação dos agentes, gerando um acalorado debate com a equipe de fiscalização. Testemunhas afirmam que o secretário agiu com agressividade, desferindo um tapa na mão de um guarda municipal, o que resultou na queda do celular do oficial. Além disso, ele teria agredido outro agente com um tapa nas costas.
A situação rapidamente escalou, necessitando da intervenção de policiais militares que estavam por perto. Júnior Bombeiro recebeu voz de prisão e foi levado à delegacia. Durante o trajeto, uma arma que estava em posse do secretário foi apreendida por precaução, ainda que os detalhes sobre o armamento não tenham sido oficialmente esclarecidos.
Desacato e Ofensas Religiosas
Mesmo algemado, o secretário manteve uma postura agressiva na delegacia, proferindo ofensas aos agentes, incluindo declarações de cunho religioso. Em um vídeo, Júnior Bombeiro é visto insultando um dos guardas, praticante de umbanda, dizendo: “A macumba vai destruir você”.
O caso foi registrado como desacato e as investigações estão em andamento. As declarações fizeram com que líderes religiosos da cidade e representantes de comunidades afro-brasileiras se manifestassem, acusando o secretário de intolerância e racismo religioso.
Reação da Comunidade e Nota de Repúdio
Em resposta ao ocorrido, o Fórum dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matrizes Africanas publicou uma nota de repúdio, classificando o episódio como grave. O texto condena o ato como intolerância religiosa e acusa o secretário de abusar da autoridade, além de manifestar solidariedade ao guarda municipal Ricardo e aos povos de terreiro. A entidade exigiu uma investigação rigorosa e responsabilização dos envolvidos, além de medidas imediatas para garantir o respeito aos direitos humanos e à liberdade religiosa.
“Racismo religioso é crime. Os povos de matrizes africanas enfrentam diariamente ataques à sua fé e cultura”, destacou o grupo em sua nota. O Fórum também pressionou para um posicionamento oficial da Prefeitura de Iguaba Grande e do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (COMPIR).
Polemicas Anteriores de Júnior Bombeiro
Este não é o primeiro episódio polêmico envolvendo Júnior Bombeiro. Em 2023, enquanto ocupava uma cadeira na Câmara Municipal de Iguaba Grande, ele foi criticado por declarações consideradas machistas. Em uma sessão da Câmara, Júnior afirmou que não concordava em “encher de mulher” o Legislativo, sugerindo que mulheres deveriam exercer outras funções fora da política.
Repercussão e Próximos Passos
Até o momento, o prefeito de Iguaba Grande não se pronunciou sobre os acontecimentos. A reportagem tentou entrar em contato com Júnior Bombeiro e a Prefeitura de Iguaba Grande, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.
O caso segue em apuração pelas autoridades competentes, enquanto cresce a expectativa por respostas oficiais sobre o ocorrido e suas implicações para a gestão municipal.
Fonte da Notícia: Guia Região dos Lagos








