Reino Unido divulga diminuição no uso de agrotóxicos para salvar polinizadores

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No Reino Unido, redução do uso de pesticidas é anunciada para preservar polinizadores

Nos últimos tempos, a discussão acerca dos impactos ambientais relacionados ao uso de pesticidas na prática agrícola tem se tornado cada vez mais relevante. Em uma notícia aguardada há anos, o governo britânico revelou sua primeira meta oficial para minimizar a aplicação desses produtos químicos, Esta ação tem como objetivo principal a proteção de abelhas e outros polinizadores, que desempenham um papel crucial na biodiversidade e na segurança alimentar.

Este plano representa uma alteração significativa na abordagem agrícola do Reino Unido e tem sido um assunto de amplo debate entre especialistas e ativistas do meio ambiente. Embora muitos vejam a proposta como um avanço positivo, seu alcance é considerado menos ambicioso quando comparado a iniciativas semelhantes na União Europeia, que busca uma redução de 50% no uso e na toxicidade dos pesticidas até o final da década.

Trator espalhando pesticidas na agricultura
Foto: iStock

Introdução de novo indicador para medições de impacto

Ao contrário de metodologias anteriores que se concentravam unicamente na quantidade de pesticidas aplicados, o Reino Unido implementou um novo método de avaliação conhecido como “indicador de carga de pesticidas”. Este indicador considera não apenas a quantidade de produtos químicos utilizados, mas também sua toxicidade e os riscos que estes podem representar para o meio ambiente e para a saúde das pessoas.

Organizações ambientais, como a Pesticide Collaboration, estão celebrando essa abordagem mais abrangente. “Embora esperássemos uma meta mais elevada, a introdução de um objetivo que avalia tanto a quantidade quanto a toxicidade dos pesticidas é um indicativo claro de que as questões relacionadas à redução de danos estão sendo levadas mais a sério”, afirmou um representante do grupo.

Promoção de soluções sustentáveis e estratégias de manejo integrado de pragas

Um componente fundamental do planejamento é a ênfase no manejo integrado de pragas (MIP), que busca inspirar métodos sustentáveis para o controle de pragas, reduzindo assim a dependência de pesticidas químicos. O MIP apoia práticas como a rotação de culturas e o cultivo de “culturas armadilha”, que atraem insetos prejudiciais para longe das culturas principais, além da introdução de predadores naturais, tais como joaninhas e besouros carnívoros, que ajudam a controlar as populações de pragas.

O setor agrícola enxergou com bons olhos a nova iniciativa, mas sublinhou duramente a necessidade de apoio técnico e financeiro para facilitar a implementação dessas alterações. Martin Lines, líder da Nature Friendly Farming Network, ressaltou que “é absolutamente crucial reduzir radicalmente o uso de produtos químicos e promover a transição para soluções mais naturais — como criar habitats para insetos predadores — a fim de construir um sistema alimentar e agrícola que seja resiliente ao futuro”.

Plantas afetadas por pragas
Foto: CC0 | Pxhere

Conflitos em áreas urbanas quanto ao uso de pesticidas

Apesar da recepção positiva em relação às novas diretrizes para a agricultura, a ausência de regulamentos sobre o uso de pesticidas em ambientes urbanos tem gerado críticas. Parques, jardins públicos e áreas verdes urbanas também são impactados pelo uso desses produtos químicos, e muitos ativistas clamam para que o plano preveja uma eliminação gradual dos pesticidas nesses locais.

Paul de Zylva, um ativista da Friends of the Earth, expressou seu descontentamento: “O governo deve incorporar um compromisso para a eliminação progressiva do uso de pesticidas e herbicidas em parques e ruas urbanas, pois esses produtos representam um risco à saúde de pessoas, animais de estimação, da vida selvagem e dos ecossistemas”. Embora o governo tenha sinalizado que essa questão será abordada separadamente, existe uma preocupação de que a falta de metas concretas para áreas urbanas possa enfraquecer a eficácia do plano como um todo.

A importância da redução de pesticidas para a biodiversidade

A diminuição do uso de pesticidas é uma ação vital para combater a perda de biodiversidade. Estudos recentes destacam um declínio preocupante nas populações de abelhas e outras espécies de insetos polinizadores, um fenômeno que pode ameaçar tanto a produção agrícola quanto a estabilização dos sistemas ecológicos.

A decisão do Reino Unido de estabelecer uma meta de redução de pesticidas está alinhada com esforços globais para minimizar esses impactos. Países como os Estados Unidos e diversas nações europeias já implementaram políticas restritivas em relação ao uso de pesticidas altamente tóxicos, como os neonicotinoides, que são conhecidos por causarem danos severos às abelhas.

Jardins que atraem polinizadores
Flores que atraem e mantêm polinizadores. Foto: Aaron Burden | Unsplash

Implicações para a prática agrícola e o futuro das políticas ambientais

Embora a meta de redução de 10% possa ser vista como modesta, especialistas acreditam que este passo pode servir como um trampolim para a formulação de políticas mais agressivas no futuro. A execução desse plano será uma prova da aptidão do governo britânico em equilibrar o crescimento econômico, a produtividade agrícola e a preservação ambiental.

Emma Hardy, ministra do Meio Ambiente, afirmou a relevância do comunicado no contexto dos compromissos mais amplos do Reino Unido com a proteção de ecossistemas naturais. “O governo está restaurando nosso mundo natural como parte de nosso compromisso de defender o meio ambiente, ao mesmo tempo em que sustenta a produtividade e o crescimento econômico”, destacou ela.

No entanto, para que essa estratégia obtenha êxito, será fundamental garantir um financiamento adequado para pesquisas e incentivos às práticas agrícolas alternativas. Além disso, é crucial estabelecer um monitoramento rigoroso para garantir que as metas sejam cumpridas, incluindo a aplicação de penalidades aos que utilizarem pesticidas de maneira irresponsável.

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