Antártica é Mapeada: Áreas Livres de Gelo e Cobertura Vegetal Reveladas
No início de fevereiro, em comemoração ao Dia da Antártica, um novo mapeamento detalhado foi publicado, revelando informações inéditas sobre as regiões do continente que não estão cobertas por gelo e que possuem vegetação. Este estudo, realizado pelo MapBiomas, utilizou imagens de satélite coletadas entre 2017 e 2025, destacando que apenas 2,4 milhões de hectares de terreno antártico são livres de gelo, uma área que representa menos de 1% do total do continente. Durante o verão antártico, cerca de 107 mil hectares dessas regiões exibem alguma forma de cobertura vegetal.
Avaliação das Áreas Verdes no Continente Gelado
A vegetação na Antártica floresce apenas nas áreas que temporariamente ficam livres durante os meses de verão, quando o gelo e a neve se retraem. Tais regiões são encontradas principalmente nas ilhas, na costa, na Península Antártica e em algumas áreas montanhosas do interior. O levantamento revelou que apenas 5% dessas áreas livres de gelo apresentam atividade vegetal, informação obtida por meio de índices fotossintéticos gerados a partir das imagens do satélite Sentinel-2.
Eliana Fonseca, coordenadora do projeto, destacou a importância deste mapeamento para o monitoramento das mudanças climáticas na região. “Mapear essas áreas é crucial para entender o impacto das alterações climáticas na Antártica. O mapa auxilia na observação da fauna local, uma vez que muitos animais utilizam essas áreas para nidificação durante o verão. Além disso, o mapeamento da vegetação permite avaliar a produtividade dos ecossistemas, viabilizando o acompanhamento das mudanças ambientais em regiões sensíveis.”
Dinâmica do Verão Antártico
Durante o inverno, o continente permanece sob escuridão total, impossibilitando a detecção de regiões livres de gelo. É somente no verão que, com a presença da luz solar e água líquida, a vegetação temporariamente aparece. Entretanto, com o retorno do frio extremo, a vegetação morre, restando apenas estruturas reprodutivas que voltarão a crescer no próximo ano.
A incidência solar durante o verão foi um dos principais desafios do mapeamento, conforme explica Fonseca. “Durante essa estação, o fenômeno do ‘sol da meia-noite’, em que o sol se mantém visível por longos períodos, projeta sombras das montanhas no interior, dificultando o mapeamento contínuo. Assim, nosso modelo utiliza um mosaico de imagens capturadas ao longo de vários verões, livres de nuvens e com mínima interferência de sombras.”
Avanços Tecnológicos no Mapeamento da Antártica
A recente evolução tecnológica em satélites ambientais, que historicamente têm se concentrado em regiões tropicais e temperadas, foi essencial para a realização deste levantamento. O projeto utilizou imagens de alta resolução do Sentinel-2 e algoritmos de aprendizado de máquina em computação em nuvem para processar a vasta quantidade de dados necessária para cobrir todo o continente.
Júlia Shimbo, coordenadora científica do MapBiomas, pontuou que esta é a primeira versão beta do mapeamento. “Temos a expectativa de que futuras edições englobem mais cientistas e grupos de pesquisa da Antártica, enriquecendo o mapeamento das áreas descobertas e vegetadas, além de incluir novas variáveis que contribuam para o monitoramento e compreensão das mudanças climáticas e ambientais no continente.”
Este levantamento não só representa um avanço significativo no estudo da Antártica, mas também proporciona uma ferramenta essencial para cientistas ao redor do mundo, interessados em compreender a dinâmica climática global e o papel crucial do continente antártico nas condições meteorológicas do hemisfério sul.
Fonte da Notícia: [Guia Região dos Lagos](https://ciclovivo.com.br/planeta/crise-climatica/antartica-vegetacao-mapeamento-inedito/)







