Natura combina preservação e ganhos com agroindústria local na Amazônia

Agroindústria

Iniciativa de agroindústria no Amazonas alia sustentabilidade e geração de renda

Em um movimento inovador que une conservação ambiental e desenvolvimento econômico, uma nova agroindústria foi inaugurada recentemente em Beruri, no coração da Amazônia. A iniciativa, uma parceria entre a Associação dos Produtores e Beneficiadores Agroextrativistas de Beruri (ASSOAB) e a Natura, promete beneficiar mais de 190 famílias extrativistas, ampliando suas rendas em até 60%.

Agroindústria com impacto social e econômico

No Dia da Amazônia, 5 de setembro, a Natura demonstrou que é possível para corporações de grande porte implementar operações sustentáveis que promovem o bem-estar das comunidades locais. A nova unidade, situada em Beruri, Amazonas, terá capacidade para processar até 100 toneladas de óleo de castanha da Amazônia anualmente e possibilitará a exploração de outros produtos como murumuru, tucumã e cupuaçu. Essa diversificação não apenas expande as oportunidades econômicas locais, como também aumenta a resiliência das comunidades face às alterações climáticas.

Sandra Amud, presidente da ASSOAB, ressaltou a importância econômica da associação para a cidade, afirmando que ela gera renda para mais de 190 famílias, muitas delas localizadas em terras indígenas nos municípios de Beruri, Lábrea e Tapauá. A ASSOAB, fundada em 1994 e predominantemente liderada por mulheres, já colabora com a Natura desde 2018 no fornecimento de amêndoas de castanha.

Inovação e práticas sustentáveis

A nova estrutura permitirá que a ASSOAB amplie sua oferta de insumos e fortaleça a qualidade e rastreabilidade dos bioativos amazônicos, cruciais para os produtos da Natura. “A infraestrutura garante a resiliência da nossa cadeia de suprimentos face a eventos climáticos”, afirma Mauro Costa, gerente sênior de relacionamento e abastecimento da sociobiodiversidade da empresa.

A agroindústria em Beruri é a 21ª do tipo apoiada pela Natura, consolidando um modelo de economia regenerativa que promove a preservação da floresta e o compartilhamento justo dos frutos da biodiversidade.

As práticas sustentáveis são um ponto chave desse empreendimento, que adota soluções circulares: o resíduo da castanha serve como combustível para caldeiras, a água da chuva é coletada e a energia solar está sendo implementada. Esse projeto conta com o apoio do Mecanismo de Financiamento Amazônia Viva, que já direcionou mais de R$ 26 milhões em créditos e investimentos.

Compromisso com a regeneração até 2050

A Natura comprometeu-se em julho a se tornar uma empresa 100% regenerativa até 2050, objetivo que, segundo Angela Pinhati, diretora de sustentabilidade, só será alcançado através de colaborações como a com a ASSOAB. “Desenvolver a cadeia da castanha enquanto combatemos o desmatamento e promovemos a inclusão social, gerando renda para mulheres, jovens e indígenas, é um ótimo exemplo de como operar de forma sustentável.”

A operação da nova agroindústria está prevista para iniciar no primeiro trimestre de 2026, acompanhando a próxima safra de castanha.

Natura e bioativos da Amazônia

Celebrando a Amazônia, a Natura anunciou que mais de 50% de seu portfólio já incorpora ingredientes da sociobiodiversidade amazônica. Isso representa mais de mil produtos que utilizam bioativos como castanha, babaçu e murumuru, integrando linhas conhecidas como Ekos, UNA e Chronos.

Tatiana Ponce, vice-presidente de marketing e desenvolvimento da empresa, destaca que a busca por insumos amazônicos se baseia em alta tecnologia, referindo-se à floresta como um “laboratório vivo, repleto de soluções”. A empresa aposta na biotecnologia como alternativa a elementos não renováveis.

A parceria com 45 comunidades e cooperativas amazônicas tem beneficiado mais de 10 mil famílias, consolidando um modelo de bioeconomia que valoriza a floresta em pé. “Nosso modelo de negócio evidencia uma solução eficaz para o desafio climático: a bioeconomia da floresta em pé. O desenvolvimento econômico deve caminhar de mãos dadas com a preservação ambiental”, afirma Ana Costa, vice-presidente de sustentabilidade da Natura.

Com a proximidade da COP 30, que ocorrerá em novembro em Belém, a Natura se posiciona como um exemplo de como o setor privado pode contribuir para o desenvolvimento sustentável.

Fonte da Notícia: https://ciclovivo.com.br/inovacao/negocios/natura-une-conservacao-e-renda-com-agroindustria-comunitaria-na-amazonia/

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