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Mediador Warao amplia atendimento a 5 mil indígenas na fronteira

Mediador Warao amplia acolhimento a indígenas na fronteira

Mediador Warao Facilita Acolhimento de Indígenas Venezuelanos na Fronteira de Roraima

Gabriel Zapata, de 24 anos, é um indígena da etnia Warao que atua como mediador intercultural em Pacaraima, município localizado em Roraima, na fronteira norte do Brasil. Em parceria com o Serviço Jesuítas para Migrantes e Refugiados (SJMR) e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), ele desempenha um papel crucial ao identificar, atender e acompanhar a chegada de indígenas venezuelanos que buscam proteção no país.

O Papel de Gabriel no Atendimento aos Indígenas

Gabriel explica que seu trabalho vai além do acolhimento formal, envolvendo escuta e troca cultural, aspectos fundamentais para criar vínculos de confiança com os recém-chegados. “Gosto de aprender palavras do dialeto deles e compartilhar conhecimentos”, diz Zapata. Ele ressalta a importância de considerar as especificidades de cada etnia, especialmente diante da insegurança inicial que muitos dos migrantes sentem.

Gabriel, sendo indígena Warao, notou que muitas etnias não eram reconhecidas ou atendidas adequadamente. Desde que começou sua função, já identificou 19 etnias diferentes na Operação Acolhida, destacando a diversidade que cruza a fronteira. Davide Torzilli, representante do ACNUR no Brasil, afirma que a mediação intercultural é essencial, especialmente porque os indígenas chegam em situações muitas vezes mais vulneráveis.

Trajetória e Desafios

A caminhada de Gabriel na área humanitária teve início em 2022, quando ele trabalhou como voluntário em um abrigo em Boa Vista, alfabetizando crianças indígenas para integrá-las ao sistema educacional brasileiro. Essa experiência chamou a atenção do Instituto Pirilampos, que o contratou como mobilizador comunitário, atuando também como intérprete para a comunidade Warao.

Hoje, Gabriel é fluente em português, espanhol e no dialeto Warao, desempenhando funções de mediação e interpretação. Ele ajuda tanto os novos imigrantes com documentação quanto aqueles que necessitam de renovação. “Explico que por ser parte de uma etnia indígena, eles receberão um atendimento diferenciado”, comenta Gabriel.

Impacto e Representatividade

Diversas histórias emocionantes marcam a atuação de Gabriel. Ele narra o caso de uma família Warao, de 36 pessoas, que chegou a Pacaraima, onde ajudou uma mulher grávida durante o acolhimento. Em agradecimento, os pais quiseram nomear o bebê de Gabriel Jesus, em homenagem a ele e aos Jesuítas. Esse tipo de reconhecimento reflete a importância da representação indígena nos espaços institucionais, garantindo a preservação cultural e de direitos.

Segundo dados do IBGE de 2022, há mais de 1,6 milhão de indígenas no Brasil de 391 etnias, falando 295 línguas diferentes. Para os indígenas venezuelanos, o ACNUR registrou cerca de 13.962 indivíduos em março de 2026, com o CadÚnico contabilizando 9,4 mil refugiados e migrantes.

Iniciativas e Parcerias em Apoio aos Povos Indígenas

O Dia Nacional dos Povos Indígenas, comemorado em 19 de abril, reforça a importância dessas culturas para a identidade brasileira e os desafios enfrentados. Com o aumento de venezuelanos buscando refúgio, o ACNUR desenvolveu ações específicas para os indígenas, apoiadas pelo Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia desde 2025.

Um memorando entre o ACNUR e o Ministério dos Povos Indígenas, assinado durante a COP30, busca fortalecer políticas públicas, ampliar capacidades institucionais e promover a convivência pacífica entre comunidades. Gabriel, por sua vez, deseja levar seu aprendizado de volta à Venezuela, inspirando autonomia e participação nas comunidades locais.

Fonte da Notícia: https://ciclovivo.com.br/inovacao/inspiracao/mediador-warao-amplia-acolhimento-a-indigenas-na-fronteira/

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