Semana da Sociobiodiversidade em Brasília reúne lideranças e lança Carta pela proteção ambiental
Entre os dias 1º e 5 de setembro, Brasília foi palco de um importante evento que reuniu mais de 450 lideranças de povos indígenas, comunidades extrativistas, quilombolas, pescadores artesanais, ribeirinhos e agricultores familiares. O encontro, batizado de Semana da Sociobiodiversidade, resultou na criação da Carta da Sociobiodiversidade, entregue ao Governo Federal no Dia da Amazônia, em 5 de setembro, com propostas para fortalecimento das economias locais e proteção de territórios tradicionais.
Propostas e desafios para a sociobiodiversidade
O documento elaborado durante o encontro apresenta propostas estruturantes para fomentar as economias da sociobiodiversidade, ampliar a proteção das terras tradicionais e assegurar a participação efetiva dessas comunidades nas decisões sobre mudanças climáticas, especialmente na COP30, que ocorrerá em Belém (PA) em 2025. As economias da sociobiodiversidade geram bilhões de reais anualmente no Brasil e são responsáveis por mais de 525 mil empregos, além de contribuírem para a conservação de cerca de 60 milhões de hectares, conforme dados do Observatório das Economias da Sociobiodiversidade.
No entanto, essas economias enfrentam desafios significativos, pois ainda são muitas vezes invisibilizadas e marginalizadas em comparação com a chamada “Economia da Destruição”, que inclui práticas como desmatamento e mineração predatória. A Carta destaca a importância dessas economias para a soberania alimentar, geração de renda e conservação da biodiversidade.
Eixos principais da Carta da Sociobiodiversidade
A Carta da Sociobiodiversidade se organiza em torno de quatro eixos principais: segurança socioterritorial e salvaguardas, que visam proteger lideranças ambientais e combater o crime organizado; políticas públicas estruturantes, promovendo infraestrutura de transporte e acesso a mercados justos; juventude e gênero, com foco em políticas específicas para mulheres e jovens; e mudanças climáticas, garantindo a participação ativa dos povos tradicionais nas negociações climáticas.
Mobilização e discussões durante a Semana da Sociobiodiversidade
Além do lançamento da Carta, a Semana da Sociobiodiversidade foi marcada por eventos estratégicos como a Pré-COP dos Oceanos, o III Encontro Nacional das Juventudes de Povos e Comunidades Tradicionais, a 14ª Reunião do Coletivo do Pirarucu, e reuniões do Coletivo da Borracha e do Observatório Castanha-da-Amazônia.
Uma sessão solene no Congresso Nacional, em homenagem ao Dia da Amazônia, contou com a presença de representantes importantes, como Sônia Guajajara, Ministra dos Povos Indígenas. Também foi realizada uma marcha na Esplanada dos Ministérios, onde manifestantes destacaram os impactos negativos da destruição ambiental e exigiram ações concretas por parte do governo.
Articulação e apoio de diversas entidades
A Semana da Sociobiodiversidade 2025 foi organizada pelo Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS) e pela Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas e Povos Tradicionais Extrativistas Costeiros e Marinhos (CONFREM). O evento contou com a colaboração de inúmeras organizações, como o Memorial Chico Mendes, Instituto de Pesquisas Ecológicas, World Wildlife Fund Brasil, Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola, entre outros.
A articulação coletiva ressaltou a importância de unir forças para promover a proteção ambiental e a justiça climática, destacando a relevância do diálogo entre comunidades tradicionais e instâncias governamentais no fortalecimento das políticas ambientais.
Fonte da Notícia: ciclovivo.com.br/planeta/desenvolvimento/mais-de-450-liderancas-lancam-carta-da-sociobiodiversidade/







