Indígenas assumem a gestão da reserva oceânica na Melanésia

Reserva oceânica da Melanésia será gerida por indígenas

Ilhas do Pacífico Criam Primeira Reserva Oceânica Indígena Multinacional

Durante a Conferência Oceânica das Nações Unidas, recentemente realizada, os governos das Ilhas Salomão e Vanuatu anunciaram um projeto pioneiro: a criação da primeira reserva oceânica multinacional do mundo liderada por indígenas. Batizada de Reserva Oceânica da Melanésia, a iniciativa tem como objetivo proteger uma vasta área marinha que abrange as águas nacionais desses países, incluindo ainda Papua-Nova Guiné. Essa região se conectará à Zona Econômica Exclusiva da Nova Caledônia, formando um corredor oceânico de expressiva biodiversidade, com estimativa de mais de 6 milhões de quilômetros quadrados.

Proteger a Biodiversidade e Culturas Ancestrais

O primeiro-ministro das Ilhas Salomão, Jeremiah Manele, destacou a importância da reserva ao afirmar que, por milênios, os povos indígenas da Melanésia demonstraram ser os guardiões mais sábios dessas águas, atuando de forma a preservar suas identidades e conexões espirituais. A reserva não só protegerá o meio ambiente, como também honrará os modos de vida ancestrais.

Edgar Pollard, ecologista do Islands Knowledge Institute — uma organização indígena das Ilhas Salomão — comparou a extensão da reserva à da Floresta Amazônica. Segundo ele, a iniciativa evoluiu de uma ideia para uma plataforma poderosa entre os líderes da Melanésia, fortalecendo a relação cultural e espiritual com o oceano. Para Pollard, tratar o oceano como lar é a melhor forma de proteção.

Desafios e Esperanças para o Futuro

Apesar da importância ecológica da região, que abriga 75% das espécies conhecidas de corais e mais de 3.000 espécies de peixes, a área enfrenta ameaças significativas, como pesca ilegal e industrial. Até o momento, cerca de 150 mil km² das águas das Ilhas Salomão e Vanuatu estão protegidos, mas a nova reserva prevê uma expansão significativa, chegando a um tamanho comparável a três vezes e meia o Alasca.

Além de garantir a preservação do ecossistema, o plano busca integrar o conhecimento tradicional dos indígenas na gestão marinha e fomentar economias regenerativas. Estão previstos investimentos em infraestrutura sustentável, incluindo barcos movidos a energia solar, e o apoio às comunidades locais com sistemas de energia solar.

Desafios com a Integração de Papua-Nova Guiné

Ainda em fase de discussão, a participação de Papua-Nova Guiné no projeto enfrenta debates devido aos seus planos de mineração em águas profundas. Ambientalistas estão preocupados com os possíveis impactos negativos sobre a reserva. Mesmo assim, Ilhas Salomão e Vanuatu estão otimistas que a criação da Reserva Oceânica da Melanésia servirá de inspiração para outros países.

Ralph Regenvanu, Ministro do Meio Ambiente de Vanuatu, manifestou satisfação com o progresso do projeto, ressaltando que a proteção dos oceanos ancestrais já era um objetivo da Política Oceânica Nacional. A nova reserva não apenas protegerá as águas contra explorações, mas também promoverá a gestão indígena, servindo de exemplo para iniciativas globais semelhantes.

A esperança é que esse modelo de gestão inspire outras nações a adotarem práticas sustentáveis e respeitosas à cultura e biodiversidade locais, garantindo um futuro mais harmonioso entre o homem e o meio ambiente.

Fonte da Notícia: [CicloVivo](https://ciclovivo.com.br/sem-categoria/reserva-oceanica-da-melanesia-sera-gerida-por-indigenas/)

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