Estado dos rios da Mata Atlântica é alarmante.

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A maneira como os rios da Mata Atlântica estão se apresentando é alarmante

Recentemente, a Fundação SOS Mata Atlântica coletou dados de 112 rios localizados na Mata Atlântica, durante o período de janeiro a dezembro de 2024, e o resultado dessa análise é preocupante. Anualmente, essa fundação realiza um estudo abrangente para avaliar a situação dos rios do bioma. Na última atualização, constatou-se que mais de 75% dos pontos avaliados foram classificados como de qualidade regular, o que significa que a água já sofre com considerável poluição e não é adequada para o consumo humano sem tratamento. O aumento de pontos caracterizados como de qualidade ruim e péssima também chama a atenção.

Os dados revelam que apenas 7,6% dos pontos (equivalente a 11) apresentaram qualidade considerada boa. Por outro lado, 13,8% (ou seja, 20 pontos) foram classificados como ruins, e 3,4% (5 pontos) atingiram a classificação péssima. A predominância de água regular, que soma 75,2% dos pontos avaliados (totalizando 109), reforça a urgência nas discussões sobre a vulnerabilidade dos recursos hídricos na Mata Atlântica.

Uma comparação com os dados do ano anterior evidencia um quadro ainda mais desafiador. Entre os 127 pontos monitorados em ambos os anos, houve um aumento no número de rios com classificação ruim e a permanência de quatro pontos com qualidade péssima, incluindo os conhecidos rio Pinheiros, em São Paulo, e o Ribeirão dos Meninos, em São Caetano do Sul (SP). Curiosamente, nenhum dos pontos analisados obteve a classificação de qualidade ótima.

rios Mata Atlântica
Apenas 7,6% dos pontos apresentaram qualidade boa. | Imagem: Divulgação

Avaliação da qualidade das águas

O Índice de Qualidade da Água (IQA), que é usado para monitorar os rios, classifica a água em cinco categorias: ótima, boa, regular, ruim e péssima. Rios com qualidade classificada como ótima ou boa são considerados adequados para abastecimento, produção de alimentos e suporte à vida aquática saudável, ao passo que os classificados como regulares já enfrentam impactos ambientais que podem comprometer seu uso para consumo e lazer. Nos rios com qualidade ruim ou péssima, os níveis de poluição são críticos, prejudicando tanto a biodiversidade quanto a saúde da população dependente destes recursos hídricos.

poluição no Rio Pinheiros
Foto: iStock

De acordo com Gustavo Veronesi, coordenador da causa Água Limpa da SOS Mata Atlântica, “os nossos rios estão em uma situação crítica. O monitoramento deste ano evidencia a gravidade do problema. A estagnação dos índices de qualidade da água e o surgimento de pontos com qualidade ruim indicam que não estamos avançando. Ações eficazes e investimentos urgentes em saneamento são indispensáveis, uma vez que a inação continua a ameaçar nossos rios”. Os resultados indicam que os esforços atuais para melhorar a qualidade da água não têm mostrado resultados satisfatórios.

A falta de saneamento é um grande desafio

O estudo reitera que o principal entrave para a recuperação da qualidade da água é a insuficiência do saneamento básico. Apesar das promessas de universalização desse serviço até 2033, cerca de 35 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água potável, e metade da população do país não possui esgoto tratado. A poluição continua a ser despejada sem controle em muitos rios, o que agrava uma situação já crítica.

A crise climática também se mostra como um fator significativo. O relatório ressalta que eventos climáticos extremos, como secas severas e chuvas intensas, afetam diretamente a qualidade da água nos rios, aumentando a concentração de poluentes e reduzindo a disponibilidade de água limpa. Veronesi destaca que “poluir um rio é um processo rápido, mas recuperá-lo demanda tempo e investimento. Em tempos de emergência climática, postergar soluções só fará com que a crise hídrica se agrave ainda mais”.

Córrego São José em São Paulo
O Córrego São José, na capital paulista, avançou de uma classificação ruim para regular. Foto: Prefeitura de São Paulo | Subprefeitura Ipiranga

Entretanto, há exemplos isolados de melhoria que demonstram que é possível recuperar a qualidade da água quando as mobilizações e políticas adequadas são implementadas. O Córrego Trapicheiros, no Rio de Janeiro, teve uma melhora de regular para boa, assim como os rios Sergipe e do Sal, em Sergipe. Em São Paulo, o Córrego São José saiu do status ruim para regular. Esses casos mostram que a recuperação dos rios é viável, mas exige cooperação entre sociedade, governos e empresas.

Enquanto alguns rios apresentam melhorias, outros continuam a deteriorar. O relatório destaca a piora no rio Capibaribe, em Pernambuco, e no rio Capivari, em Florianópolis, ambos afetados pelo despejo inadequado de esgoto. A falta de fiscalização eficiente e a expansão desordenada das áreas urbanas contribuem para a degradação contínua desses corpos hídricos.

Estudo sobre rios da Mata Atlântica
Bacias hidrográficas acompanhadas pelo programa Observando os Rios.

“A sociedade civil deve aumentar sua participação nos comitês de bacias hidrográficas e na defesa da água limpa, pois a situação não irá se melhorar sozinha. Mesmo com a urgência do estabelecimento de políticas integradas até 2030 apontada pela ONU, o Brasil ainda precisa avançar na transformação de compromissos em ações concretas”, afirmam Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica. “O retrato atual da qualidade da água nos rios da Mata Atlântica, elaborado por meio de ciência cidadã, ressalta essa necessidade e evidencia a importância da mobilização social para assegurar um futuro sustentável para todos”, completa.

Sobre o projeto Observando os Rios

O Observando os Rios é um dos maiores programas de ciência cidadã do Brasil. A sua metodologia permite que a sociedade, mesmo sem conhecimentos prévios sobre o Índice de Qualidade da Água (IQA), possa avaliar e classificar a saúde dos rios. São analisados um total de 16 parâmetros, conforme a Resolução CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) 357/05.

Equipe da SOS Mata Atlântica em um projeto
Equipe da SOS Mata Atlântica em visita à Unidade Recuperadora Antonico, da Sabesp. Foto: Divulgação

A partir deste ano, o programa aumentou a frequência das análises e fortaleceu a mobilização da sociedade em torno dos resultados. Com aproximadamente dois mil voluntários ativos em 14 estados, e 145 pontos de coleta, a iniciativa é um exemplo no monitoramento da água, demonstrando que a participação da sociedade é fundamental para pressionar por políticas públicas mais eficientes. Patrocinado pela Ypê e pela Inditex, além do apoio da Águia Branca, da Fundação Sol de Janeiro e do Grupo Heineken, o relatório intitulado “O Retrato da Qualidade da Água nas Bacias Hidrográficas da Mata Atlântica”, elaborado pelo programa Observando os Rios, é um dos diagnósticos mais abrangentes sobre a condição dos rios desse bioma.

O estudo completo pode ser acessado no site da Fundação SOS Mata Atlântica.

Fonte: Guia Região dos Lagos

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