Recorde de Desova de Tartarugas na Amazônia é Detectado através de Drones
No coração da Amazônia, nas margens do Rio Guaporé, uma descoberta notável foi realizada. Cientistas identificaram o maior local de nidificação já registrado da tartaruga-gigante-de-rio-sul-americana, a tartaruga-de-arrau, contabilizando mais de 41 mil indivíduos. Este feito impressionante foi possível graças ao uso de drones e modelagem estatística sofisticada.
Tecnologia Revoluciona Estudo da Vida Selvagem
A pesquisa, desenvolvida pela Universidade da Flórida em conjunto com a Wildlife Conservation Society, foi recentemente publicada em uma renomada revista científica. O estudo não só marca um avanço significativo para a conservação da espécie, mas também representa uma evolução na forma de monitorar populações animais em seus habitats naturais.
Ismael Brack, principal autor do estudo, enfatiza a inovação: “Descrevemos um novo método para monitorar populações animais de maneira mais eficaz. Embora a técnica tenha sido usada para contar tartarugas, pode ser adaptada para outras espécies.”
Características e Desafios das Tartarugas-de-Arrau
Conhecidas cientificamente como Podocnemis expansa, as tartarugas-de-arrau são uma das maiores espécies de água doce do mundo, atingindo até 90 centímetros de comprimento e pesando até 80 quilos. Com colorações que variam do verde-oliva ao cinza-escuro, elas são famosas por seu comportamento de nidificação coletiva durante a estação seca, que ocorre entre julho e agosto.
Apesar das proteções existentes, as tartarugas-de-arrau enfrentam ameaças contínuas, como a caça ilegal e a degradação dos rios. A obtenção de dados precisos sobre a população é essencial para estratégias eficazes de conservação.
Inovação Tecnológica com Drones
Os métodos tradicionais de contagem em terra são muitas vezes invasivos e propensos a erros. Até mesmo as imagens aéreas, sem ajustes, podem apresentar distorções. Para superar essas limitações, a equipe liderada por Brack utilizou drones em sobrevoos diários durante 12 dias, capturando 1.500 imagens de alta resolução.
Cerca de 1.200 tartarugas foram marcadas com tinta branca, permitindo um acompanhamento detalhado dos movimentos dos indivíduos. As imagens capturadas foram transformadas em ortomosaicos – composições de imagens aéreas – possibilitando a identificação de animais nidificando, movimentando-se ou descansando.
Os resultados obtidos pela equipe foram consideravelmente mais precisos do que os métodos anteriores. Enquanto as contagens realizadas no solo estimavam 16 mil tartarugas e os dados brutos de drones sugeriam 79 mil, o modelo estatístico desenvolvido ajustou a estimativa para pouco mais de 41 mil indivíduos. “Precisamos de contagens precisas para entender se a população está em declínio ou se as medidas de proteção estão funcionando”, afirma Brack.
Importância para o Ecossistema Amazônico
As tartarugas-de-arrau desempenham um papel vital no equilíbrio ecológico da Amazônia. Elas contribuem para a dispersão de sementes, mantêm cadeias alimentares e ajudam na dinâmica dos rios. Proteger suas áreas de nidificação significa assegurar a preservação da biodiversidade local.
Com informações mais precisas, as iniciativas de conservação podem ser melhor direcionadas, desde a proteção de praias estratégicas até o planejamento de investimentos em regiões específicas. Os pesquisadores estão otimistas quanto à aplicação do método em outros países amazônicos, como Colômbia, Peru e Venezuela, e até mesmo em espécies diferentes, como focas ou cabras-montesas. “Combinando dados de levantamentos variados, podemos detectar tendências populacionais”, conclui Brack, apontando o caminho para investimentos mais eficazes em conservação.
Fonte da Notícia: [Guia Região dos Lagos](https://ciclovivo.com.br/planeta/meio-ambiente/drones-revelam-recorde-de-desova-de-tartarugas-na-amazonia/)








