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Nova pesquisa propõe manejo sustentável na Amazônia

Um estudo divulgado recentemente na revista científica Forests traz luz sobre práticas sustentáveis de reflorestamento na Amazônia brasileira. Liderada por Lucieta Martorano, da Embrapa Amazônia Oriental, a pesquisa utiliza um método inovador chamado zoneamento topoclimático. Esta técnica permite mapear áreas e identificar espécies nativas mais adequadas para a silvicultura e restauração florestal, focando em doze espécies de relevante importância ecológica e econômica.

Colaboração entre instituições reforça o potencial amazônico

A pesquisa foi desenvolvida com a colaboração da Embrapa, da Universidade Federal do Ceará (UFC) e outras instituições parceiras. Os resultados indicam que a silvicultura com espécies nativas pode mitigar mudanças climáticas, além de promover geração de renda, recuperação da biodiversidade e melhorar a resiliência a desastres naturais. O estudo destaca a eficácia do zoneamento topoclimático como uma ferramenta essencial para o uso sustentável das florestas.

Lei de Pagamento por Serviços Ambientais e o futuro da Amazônia

A pesquisa se alinha com a Lei de Pagamento por Serviços Ambientais (PES) do Brasil, que visa fomentar práticas agroflorestais e fortalecer a bioeconomia da região amazônica. A Dinízia excelsa, popularmente conhecida como angelim-vermelho, foi apontada como a espécie de maior eficiência topoclimática.

Zoneamento aplicável a todos os biomas brasileiros

O zoneamento topoclimático foi concebido para apoiar estratégias de conservação em quaisquer biomas do Brasil. Integrando mais de 7.600 registros georreferenciados de espécies como angelim-vermelho, ipê-amarelo, copaíba e mogno-brasileiro, a pesquisa associou esses dados a variáveis climáticas, geográficas e topográficas coletadas ao longo de décadas. Mapas foram criados para indicar a adequação ambiental de diversas áreas da Amazônia.

Planejamento estratégico para políticas públicas

Lucieta Martorano destaca a metodologia como um valioso suporte para políticas públicas que visam a restauração florestal e a adaptação climática. A análise revelou que o angelim-vermelho possui alta aptidão topoclimática, especialmente em áreas degradadas pela ação humana, evidenciando seu potencial para restauração produtiva. Espécies com maior adaptabilidade ambiental, como o marupá, podem desempenhar papel crucial em regiões menos favoráveis, desde que acompanhadas de manejo adaptativo.

Integração entre biodiversidade, clima e economia

O zoneamento vai além do simples mapeamento de plantio, possibilitando a articulação de políticas públicas com compromissos internacionais, como o Acordo de Paris. A silvicultura nativa, impulsionada por este método, integra a conservação climática com oportunidades econômicas sustentáveis. Além disso, está em consonância com a Lei de Pagamento por Serviços Ambientais, atraindo investimentos e promovendo práticas agroflorestais.

Ampliação de mercado e recuperação de áreas

O estudo apresenta oportunidades para programas de recuperação de áreas degradadas e fortalecimento do mercado de créditos de carbono. Silvio Brienza Junior, da Embrapa Florestas, ressalta que o uso eficaz do zoneamento maximiza serviços ambientais como sequestro de carbono, regulação hídrica e preservação da biodiversidade. “Este conhecimento detalhado sobre onde reflorestar cria condições favoráveis para atração de investimentos internacionais”, afirma.

Amazônia como protagonista em soluções globais

Com a COP 30 marcada para acontecer em Belém, o Brasil dispõe agora de uma ferramenta científica que reforça sua liderança em soluções climáticas globais. O estudo reafirma a Amazônia não só como um bioma ameaçado, mas uma fonte vital de soluções baseadas na natureza e no conhecimento técnico-territorial. Modelos de zoneamento topoclimático direcionam recursos para restauração e contribuem para alcançar metas de neutralidade de carbono.

Os especialistas enfatizam a potencial expansão do modelo para outras regiões, o que pode ser facilitado por tecnologias como sensoriamento remoto e inteligência artificial. A proposta visa um reflorestamento inteligente, conciliando recuperação ambiental, geração de renda e inclusão social.

Fonte da Notícia: [Guia Região dos Lagos](https://ciclovivo.com.br/planeta/crise-climatica/onde-e-com-quais-especies-reflorestar-a-amazonia/)

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