Após significativos avanços na melhoria da qualidade das águas em todo o país, a China embarca em um ambicioso projeto de dez anos para garantir que os ecossistemas circundantes também atendam a altos padrões ambientais. Anunciado recentemente pelo Ministério da Ecologia e Meio Ambiente chinês, o plano visa integrar os progressos já obtidos em 2.573 rios e lagos à recuperação dos ecossistemas de água doce, essenciais tanto para humanos quanto para artefatos culturais.
Histórico e Importância da Água na China
A água doce desempenha um papel fundamental na história da China, não só como recurso vital, mas também como um elemento cultural e social. Desde o início do cultivo de arroz nas planícies centrais e do norte, por volta de 2.700 a.C., o controle da água tem sido um fator unificador da sociedade chinesa. A lenda atribui ao primeiro imperador a façanha de dominar as enchentes do Rio Amarelo, um feito que marcou o início de uma relação complexa e duradoura entre a civilização chinesa e seus cursos d’água.
Com o tempo, viajantes se maravilhavam com a abundância de água doce usada para irrigação, complementada por uma intricada rede de canais que integrava vastas regiões. Durante a Dinastia Qin, o Grande Canal foi construído, sendo considerado o maior projeto de engenharia paisagística da antiguidade. Posteriormente, os rios Yangtze e Pérola tornaram-se cruciais para a industrialização e expansão global do setor manufatureiro chinês.
Aspectos Culturais dos Rios e Lagos
Rios e lagos não só impulsionaram a produção e o abastecimento, mas também inspiraram a criação de poemas, canções e estruturas icônicas, como pontes e templos. Comunidades inteiras nasceram às suas margens, com canais substituindo ruas em vilas onde os recursos permitiam.
Planos para o Futuro
Concluído em 2015, o plano de ação da China para prevenção e controle da poluição da água resultou em 90,4% das áreas de águas superficiais do país classificadas como “excelentes” até 2024. O novo plano, contudo, expande o alcance para incluir a ecologia completa dos ecossistemas fluviais.
As metas abrangem a restauração de áreas de desova, manutenção de alimentação para aves migratórias, melhoria na conectividade dos habitats para passagem de peixes em locais com barreiras, além de fortalecer sistemas de controle de enchentes e drenagem. Além disso, o plano inclui o monitoramento da eutrofização em lagos e reservatórios.
A Visão do Ministério
Liu Jing, vice-diretor do Departamento de Ecologia Hídrica e Meio Ambiente, ressalta a importância dessa iniciativa abrangente, que segue o sucesso do plano de ação de 2015. Jing enfatiza que um rio ou lago saudável é aquele cujo fluxo ecológico é mantido constantemente, além de ter suas funções ecológicas preservadas ou restauradas para garantir a proteção da biodiversidade.
A gestão das bacias hidrográficas também é fundamental para controlar as emissões de poluentes, assegurando a qualidade da água e proporcionando à população condições para desfrutar de paisagens e atividades recreativas aquáticas.
Perspectivas para 2030
Até 2030, espera-se um progresso significativo, com a reversão da atual tendência de declínio da vida selvagem aquática no Rio Amarelo, além de avanços na recuperação da biodiversidade no Yangtze. Essas metas representam um compromisso contínuo da China com a proteção e sustentabilidade de seus recursos hídricos, essenciais não apenas para o desenvolvimento econômico, mas também para a preservação cultural e ambiental do país.
Fonte da Notícia: [Guia Região dos Lagos](https://ciclovivo.com.br/planeta/desenvolvimento/china-quer-restaurar-ecossistemas-apos-limpar-rios-e-lagos/)







