Emissões de Metano no Brasil Crescem 6% em Quatro Anos, Alerta Observatório
Entre 2020 e 2023, o Brasil registrou um aumento preocupante de 6% nas emissões de metano, alcançando o segundo maior nível já registrado de emissão de CH₄, com 21,1 milhões de toneladas lançadas na atmosfera. Esse crescimento, segundo um estudo do Observatório do Clima, está majoritariamente associado à fermentação entérica, ou seja, os conhecidos “arrotos” de bovinos, que representam 14,5 milhões de toneladas desse total. Tal nível equivale a 406 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente, ultrapassando as emissões totais de gases de efeito estufa da Itália no mesmo período.
Impacto do Metano no Aquecimento Global
Embora o metano tenha uma vida útil menor na atmosfera, de cerca de 10 a 20 anos, ele possui um potencial de aquecimento global 28 vezes maior que o dióxido de carbono ao longo de um século. Tal fato torna suas emissões ainda mais críticas no contexto das mudanças climáticas.
Em uma tentativa de enfrentar este desafio, o Brasil se comprometeu, em novembro de 2021, no Compromisso Global do Metano, durante a COP 26 em Glasgow, a cortar 30% das emissões globais de metano até 2030, em relação aos níveis de 2020. Contudo, o país, que ocupa a quinta posição no ranking dos maiores emissores de metano mundial, atrás de China, Estados Unidos, Índia e Rússia, ainda não implementou medidas efetivas para atingir essa meta.
Aumento Contínuo nas Emissões
De acordo com o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima, as emissões de metano têm crescido desde 2015. Se compararmos os níveis de 2005 a 2023, houve um aumento de 7,2%, passando de 19,6 milhões para 21,1 milhões de toneladas de CH₄. Tais dados são parte de um relatório detalhado publicado em 27 de setembro, que propõe bases para as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC) do Brasil entre 2030 e 2035.
Pecuária: Principal Fonte de Emissão
O agronegócio é o setor brasileiro que mais contribui para as emissões de metano, respondendo por 75,6% do total em 2023. Destes, 98% se originam da pecuária. O Brasil, que possui o segundo maior rebanho bovino do mundo e lidera as exportações de carne, viu sua população bovina crescer de 218,2 milhões em 2020 para 238,6 milhões em 2023, segundo o IBGE.
O setor de resíduos segue como o segundo maior emissor, com 3,1 milhões de toneladas de metano emitidas, originadas principalmente de dejetos orgânicos em lixões. Outros setores relevantes incluem a mudança de uso da terra e florestas, energia e processos industriais.
Estratégias para Mitigação
O Observatório do Clima destaca a necessidade urgente de implementar soluções para a mitigação das emissões de metano no Brasil. Controlar o CH₄ na atmosfera pode trazer efeitos mais rápidos na mitigação do aquecimento global em comparação ao CO₂. O objetivo é reduzir as emissões de metano em 45%, o que poderia significar uma diminuição de 0,3 ºC no aquecimento global até 2040.
As ações para alcançar essas metas envolvem melhorias na dieta animal e no manejo do gado, além de aperfeiçoamentos genéticos no rebanho. No setor de resíduos, o fechamento de lixões até 2028 e a ampliação da reciclagem são etapas cruciais. Já em relação ao setor energético, garantir acesso a fogões eficientes e monitorar emissões na exploração de combustíveis fósseis são passos essenciais.
Desafios Futuros e Responsabilidade Ambiental
Para o Brasil, que busca se tornar carbono negativo até 2045, é crucial intensificar as estratégias para reduzir as emissões de metano. Isso requer um compromisso sério com a regeneração florestal, uso sustentável do solo e adoção de energias renováveis. Segundo David Tsai, coordenador do SEEG, lidar com a magnitude da pecuária e a gestão de resíduos são passos fundamentais nesta trajetória.
Fonte da Notícia: https://ciclovivo.com.br/planeta/meio-ambiente/emissoes-de-metano-do-brasil-sobem-6-em-quatro-anos/







