Brasil se destaca entre os maiores emissores de metano do mundo, segundo novo relatório
Entre os 25 locais com as maiores emissões de metano no mundo, três aterros sanitários brasileiros, localizados em Curitiba e São Paulo, figuram como destaque. O levantamento foi realizado pelo projeto STOP Methane, do Instituto Emmett da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). O estudo compreende dados obtidos entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2025.
Mapeamento global das emissões
Baseando-se em dados do Carbon Mapper, a pesquisa utilizou satélites e sensores aéreos para detectar e quantificar emissões de metano e dióxido de carbono em escala global. Além do Brasil, outros países como Chile, Índia, Arábia Saudita e Turquia também aparecem na lista, observando-se a dispersão do problema ao redor do globo.
O metano, um dos mais potentes gases de efeito estufa, tem um potencial de aquecimento 80 vezes superior ao do CO₂ em um período de 20 anos. Ele é apontado como responsável por cerca de 30% do aquecimento global desde a Revolução Industrial. O Carbon Mapper visa disponibilizar dados que permitam ações eficazes para a redução dessas emissões.
Análise dos números
No total, a pesquisa analisou 707 locais de resíduos, entre aterros e lixões. As emissões são medidas em toneladas por hora. Enquanto muitos locais emitem apenas alguns quilos de metano por hora, os 25 maiores emissores chegam a liberar entre 3,6 e 7,5 toneladas por hora.
Para contextualizar, um aterro que emite 5 toneladas de metano por hora, ao longo de um ano, pode equivaler ao impacto climático de um milhão de SUVs ou de uma grande usina a carvão de 500 megawatts.
Principais emissores globais de metano
O local com maior emissão identificado no estudo está próximo a Buenos Aires, Argentina, liberando 7,6 toneladas de metano por hora. A Turquia também possui múltiplos pontos críticos, o que é particularmente relevante pois será a sede da COP31 em novembro de 2026. O país, recentemente, lançou uma iniciativa de redução de emissões no setor de resíduos, liderada pela primeira-dama Emine Erdoğan.
Pela primeira vez, o relatório inclui “menções desonrosas” para locais não incluídos na lista principal devido à falta de dados. Um desses locais está em Istambul, Turquia, emitindo 8,4 toneladas por hora, e outro em Abidjan, Costa do Marfim, com 4,6 toneladas por hora. O caso turco chama atenção por apresentar a maior taxa dentre todas as instalações analisadas.
Impactos e ações
Conforme Cara Horowitz, diretora do Instituto Emmett da UCLA, “há muito a ser feito, não só pelo anfitrião da COP31. Emissões extremamente perigosas de metano estão presentes em muitos países, próximas a áreas urbanas, representando riscos à saúde pública”. Entretanto, medidas efetivas podem ser tomadas por governos e operadores para mitigar esses efeitos.
No Chile, operadores de aterros em Penco e Talagante já anunciaram ações de mitigação após a lista inicial ser divulgada em novembro. Segundo Juan Pablo Escudero, professor da Universidade Adolfo Ibáñez e parceiro do projeto, “dados confiáveis e visíveis incentivam ações, criando oportunidades para lideranças responsáveis no setor”.
Fonte da Notícia: [Guia Região dos Lagos](https://ciclovivo.com.br/planeta/desenvolvimento/brasil-maiores-emissores-metano-mundo/)








