Artivismo na COP30: 5 maneiras que os brigadistas usam cinzas da floresta

mural exposição mundano

### Mundano e seu Impacto na COP30: Arte Sustentável com Cinzas de Incêndios

Durante o ano de 2024, o Brasil enfrentou uma situação alarmante: as emissões de gases de efeito estufa provenientes de incêndios florestais atingiram níveis equivalentes às emissões líquidas causadas por mudanças no uso da terra. No epicentro deste cenário ambiental preocupante, os brigadistas brasileiros continuam a lutar contra as chamas, frequentemente sem o devido reconhecimento e recursos. Um dos que se destacam na defesa desses heróis é o artivista Mundano, que encontra na arte uma poderosa ferramenta de protesto e conscientização.

### A Jornada de Mundano: Das Cinzas à Arte

Após viajar por mais de 10 mil quilômetros cruzando a Amazônia, o Cerrado, o Pantanal e a Mata Atlântica, Mundano recolheu mais de 200 quilos de cinzas das florestas devastadas. Estas cinzas tornaram-se a matéria-prima para suas pinturas, incluindo o famoso mural “O Brigadista” em São Paulo, uma homenagem clara aos combatentes do fogo inspirada na obra de Cândido Portinari.

### Exposição Internacional na COP30

Na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30, em Belém, Mundano lidera uma exposição que destaca suas obras e as de outros artistas que utilizam cinzas em suas criações. A mostra, intitulada “Cinzas da Floresta”, reúne talentos do Brasil e de outros países e tem como principal mural, “Defensores”, uma colaboração entre artistas como Cely Arikem, Vands, Éder Oliveira, Fábio Graf e o próprio Mundano. A obra ilustra uma marcha de defensores das florestas, unindo diversas vozes e culturas em prol da vida.

### Apoio aos Brigadistas

Com todas as obras da exposição à venda, o montante arrecadado será revertido para a Rede Nacional de Brigadas Voluntárias (RNBV). Esses fundos serão fundamentais para a formação de novos brigadistas, aquisição de equipamentos e fortalecimento das ações de combate ao fogo.

### Arte: Um Elo Entre o Passado e o Presente

Usar cinzas e carvão na arte remonta às eras primitivas, quando o fogo era uma manifestação da natureza. Hoje, no entanto, essas chamas muitas vezes são alimentadas pela destruição ambiental, incentivada por interesses econômicos e a falta de conscientização coletiva. A exposição “Cinzas da Floresta” reflete essa dualidade, destacando a urgência da crise climática atual e utilizando a arte como meio de comunicação e resistência.

### Um Chamado à Consciência Global

De acordo com o relatório “Raízes da Resistência”, da Global Witness, 2024 foi um ano letal para defensores ambientais, com 146 mortes ou desaparecimentos, a maioria na América Latina. O Brasil, ao lado de Colômbia, México e Honduras, está entre os países mais perigosos para esses defensores. Estas perdas são um lembrete sombrio das vidas interrompidas em nome da proteção do meio ambiente.

### Detalhes da Exposição

A exposição “Cinzas da Floresta” está aberta ao público até o término da COP30, em 20 de novembro, na Travessa Piedade, 426, em Belém (PA). A entrada é gratuita, não sendo necessário agendamento prévio.

Esta iniciativa, liderada por Mundano, destaca a importância vital dos brigadistas e articula, através da arte, uma potente mensagem de resistência e esperança em um mundo que precisa urgentemente se reconectar com suas raízes naturais.

### Fonte da Notícia:
https://ciclovivo.com.br/arq-urb/design/artivismo-na-cop30-cinzas-da-floresta-pelos-brigadistas/

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