# Uso do Caroço de Açaí na Indústria Cimenteira Reduz Emissões de CO2
### Cimenteiras do Brasil investem em alternativas sustentáveis para diminuir impacto ambiental
No Pará, uma inovação sustentável está transformando a produção de açaí em uma oportunidade de combate às emissões de gases de efeito estufa pela indústria cimenteira. A substituição de combustíveis fósseis pelo caroço de açaí na fabricação de cimento se apresenta como uma solução eficaz e promissora para a redução da pegada de carbono.
### A Importância do Açaí na Indústria
A indústria do cimento é uma grande responsável pelas emissões de CO2, principalmente devido ao uso de coque de petróleo em seus altos-fornos. Entretanto, o trecho mais promissor está na relação improvável, mas efetiva, entre o açaí e o cimento. O caroço de açaí, que corresponde a 80% do fruto, tradicionalmente era descartado como resíduo. Com o coprocessamento, ele agora serve como uma alternativa de biomassa.
### O Desafio de Resíduos no Pará
Com a popularização do açaí, a produção no Pará cresceu exponencialmente. Se, nos anos 2000, a indústria era artesanal e limitada ao consumo local, hoje o cenário é outro. A introdução de máquinas elétricas para o processamento da fruta ampliou o mercado, levando o valor de produção de R$ 364 milhões para R$ 1,9 bilhão em 2011. Isso gerou uma quantidade considerável de resíduos, levando ao desafio de gerenciamento dos caroços.
### Transformando Resíduo em Recurso
A Ecofoods, empresa situada na região metropolitana de Belém, se sobressaiu na gestão sustentável ao gerar 3 milhões de quilos de polpa de açaí anualmente, resultando em cerca de 150 toneladas diárias de caroço. Este material é retirado pela PHS da Mata, que encontrou uma forma de reaproveitamento lucrativa. O diretor operacional da Ecofoods, Maurício Nunes, destaca que o caroço, antes um passivo, agora é um ativo econômico.
Por sua vez, Pedro da Mata, CEO da PHS da Mata, destaca que a empresa não apenas usa 100% do resíduo, mas também estuda a exportação deste material, demonstrando sua relevância econômica. A empresa beneficia das 100 mil toneladas anuais de caroço de açaí, das quais 48 mil são adquiridas pela Verdera, o braço da Votorantim Cimentos focado em soluções para resíduos.
### Aplicações na Indústria Cimenteira
Na fábrica da Votorantim Cimentos em Primavera, próxima a Belém, o caroço de açaí é usado como combustível para secar o calcário, uma das principais matérias-primas do cimento. O calcário, que chega a ter umidade de 20%, precisa ser reduzida a 2% por meio de alta temperatura, gerada pelo queimador alimentado pelo caroço. A utilização desse resíduo permitiu à fábrica economizar 44 mil toneladas de CO2 e mostrar que a sustentabilidade e a economia podem caminhar juntas.
### Expandindo o Uso de Biomassa
Além do caroço de açaí, outras biomassa, como resíduos da indústria madeireira, são usadas nos fornos de cimento que operam a altas temperaturas. No ano de 2024, por exemplo, a unidade em Primavera substituiu 64,3% do uso de combustíveis fósseis por biomassa, reduzindo as emissões em 22%.
A indústria cimenteira brasileira, com a liderança da Votorantim, mostra que é possível integrar soluções sustentáveis à sua cadeia, criando um exemplo para outros setores. O uso do caroço de açaí não só promove a sustentabilidade, mas também transforma um resíduo abundante em uma fonte de energia valiosa.
### Soluções Regionais
No Brasil, a Verdera explora uma variedade de resíduos locais. No Pará, o caroço de açaí é a solução, enquanto no Paraná, resíduos urbanos são transformados em combustível derivado de resíduos. Essa abordagem regionalizada não só apoia a sustentabilidade como também é mais econômica, reduzindo gastos com transporte e emissão de gases.
### Conclusão
A substituição dos combustíveis fósseis por biomassa na indústria do cimento é uma solução viável e eficaz contra as emissões de gases de efeito estufa. O caroço de açaí, que antes era apenas um resíduo, agora é um ativo importante na luta pela sustentabilidade. Essa iniciativa não só beneficia o ambiente, mas também a economia local e global, criando um ciclo virtuoso para as futuras gerações.
Fonte da Notícia: Ciclo Vivo







