Desafios no acesso à água potável e saneamento básico até 2030
A Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, dentre os quais o sexto visa assegurar a disponibilidade de água potável e saneamento para todos até 2030. No entanto, o caminho para atingir essa meta ainda é longo. Atualmente, cerca de 2,1 bilhões de pessoas, ou seja, um a cada quatro habitantes do planeta, não têm acesso a água potável segura, de acordo com um relatório recente.
Panorama global do acesso à água e saneamento
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançaram o relatório “Progresso em Água Potável e Saneamento Doméstico 2000-2024: foco especial nas desigualdades” durante a Semana Mundial da Água, realizada em Estocolmo. O documento destaca que, apesar de alguns avanços nas últimas décadas, as desigualdades ainda são gritantes. Populações em países de baixa renda, áreas rurais, além de crianças e grupos étnicos minoritários e indígenas, enfrentam as maiores dificuldades.
Acesso restrito à água potável
Embora tenha havido melhorias desde 2015, ainda há uma parcela significativa da população mundial sem acesso a água potável gerenciada de forma segura. Dos 2,1 bilhões de pessoas sem acesso, 106 milhões recorrem a fontes superficiais de água, o que implica riscos à saúde. Em regiões de conflito, a cobertura é 38 pontos percentuais inferior às demais áreas. No entanto, em regiões rurais, a cobertura aumentou de 50% para 60% entre 2015 e 2024.
Desafios no saneamento básico e higiene
O saneamento básico ainda não é uma realidade para 3,4 bilhões de indivíduos. Destes, 354 milhões praticam a defecação a céu aberto, expondo-se a riscos sanitários severos. Em países menos desenvolvidos, a falta de acesso ao saneamento é mais do que o dobro em comparação com nações desenvolvidas. Além disso, 1,7 bilhão de pessoas não dispõem de serviços básicos de higiene, sendo 611 milhões sem qualquer instalação sanitária.
Impacto da desigualdade de gênero e acesso à água
A desigualdade também se manifesta nas questões de gênero. Em 70 países analisados, mulheres e adolescentes possuem materiais menstruais e locais privados para troca, mas frequentemente não em quantidade suficiente. Meninas adolescentes entre 15 e 19 anos participam menos de atividades escolares e sociais durante o ciclo menstrual, comparado às mulheres adultas. Na África Subsaariana e na Ásia, muitas mulheres dedicam mais de 30 minutos diários para buscar água, um peso que não recai sobre os homens.
Considerações finais
O direito ao acesso à água potável é reconhecido como fundamental para a sobrevivência e para o desenvolvimento socioeconômico. Dr. Ruediger Krech, da OMS, ressalta que água, saneamento e higiene são direitos básicos, não privilégios, e defende ações urgentes para beneficiar as comunidades mais marginalizadas. Embora a ONU destaque que “água contaminada, saneamento inadequado e práticas precárias de higiene ainda comprometam os esforços para erradicar a pobreza extrema”, o avanço dessa agenda é crucial.
A falta de água potável e saneamento reflete diretamente na saúde e educação, principalmente das meninas. Cecilia Scharp, do UNICEF, alerta que a ausência desses recursos coloca em risco a saúde e o futuro educacional das crianças, com consequências mais graves para as meninas. Assim, ela conclui que é necessário agir rapidamente para alcançar os que mais precisam.
Fonte da Notícia: https://ciclovivo.com.br/planeta/desenvolvimento/1-em-cada-4-pessoas-no-mundo-nao-tem-acesso-a-agua-potavel/








