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Vulneráveis têm menos chances de escapar de ondas de calor extremas

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Estudo revela desigualdade no enfrentamento de ondas de calor em cidades

Um estudo recente analisou os dados de movimentação de um bilhão de dispositivos móveis para demonstrar como riqueza e idade influenciam a capacidade das pessoas em enfrentar ondas de calor extremo. A pesquisa, que observou as temperaturas recordes de 2023, destaca que medidas comuns de proteção em áreas urbanas nem sempre beneficiam os grupos mais vulneráveis. Este levantamento foi realizado em um contexto onde a Organização Meteorológica Mundial classificou os últimos três anos como os mais quentes já registrados.

Vulnerabilidade ao calor: quem são os mais afetados?

Os cientistas utilizaram registros anônimos de celulares para entender como as pessoas reagiram durante episódios de calor extremo, observando se permaneciam em casa ou se precisavam sair para trabalhar ou adquirir itens essenciais. Os resultados indicaram que os idosos, residentes de áreas de baixa renda e trabalhadores rurais são os menos capazes de escaparem do calor intenso.

A pesquisa foi conduzida pela Universidade de Southampton em colaboração com o Laboratório de Ciência e Engenharia Marinha do Sul de Guangdong, na China. Dra. Haiyan Liu, pesquisadora principal do estudo, destacou a disparidade na forma como diferentes grupos populacionais lidam com temperaturas extremas. Medidas de mitigação, como plantio de árvores ou emissão de alertas, muitas vezes não são eficazes para aqueles que trabalham ao ar livre, como agricultores.

A eficácia dos alertas de calor

Os cientistas analisaram dados de 1,1 bilhão de dispositivos telefônicos em 366 cidades chinesas para compreender como as pessoas ajustaram suas rotinas durante os períodos de calor intenso. Descobriu-se que pessoas com maior poder aquisitivo tinham mais facilidade para ficar em casa durante esses eventos climáticos, enquanto indivíduos de menor renda precisavam continuar se deslocando para trabalhar.

Surpreendentemente, em cidades com grande número de idosos e moradores de baixa renda, os alertas de calor resultaram em maior movimentação, possivelmente porque muitos trabalhavam ao ar livre e não podiam se dar ao luxo de ficar em casa. Locais públicos climatizados, como bibliotecas e centros comunitários, foram identificados como os recursos mais eficientes para ajudar populações de baixa renda e idosos a se refrescarem.

Apesar disso, áreas verdes urbanas, embora benéficas para comunidades mais abastadas, mostraram-se inadequadas para proteger idosos e trabalhadores das zonas agrícolas.

Impactos futuros das mudanças climáticas

Os dados que embasaram essa pesquisa vieram do grupo de pesquisa WorldPop, da Universidade de Southampton, que há uma década publica diversos conjuntos de dados utilizando informações de telefones celulares, imagens de satélite e censos. De acordo com o professor Andy Tatem, diretor do WorldPop, a exposição ao calor, atualmente associada a cerca de 500 mil mortes anuais, pode se tornar ainda mais letal, com uma frequência crescente de ondas de calor mortais prevista para o final do século.

Tatem enfatizou a necessidade urgente de os governos adotarem métodos de planejamento mais realistas para enfrentar ondas de calor, especialmente em áreas de maior vulnerabilidade socioeconômica. Isto porque depender de dados médios das cidades para planejar respostas às ondas de calor não é mais viável.

Considerações finais

O estudo conclui que estratégias convencionais para lidar com o calor, muitas vezes baseadas em uma abordagem única, são ineficazes. É crucial que as autoridades de saúde pública desenvolvam estratégias específicas para proteger aqueles que, devido à idade ou condições econômicas, são forçados a encarar o calor extremo sem alternativas.

Fonte da Notícia: [Universidade de Southampton](https://www.southampton.ac.uk/news/2026/01/data-reveals-hidden-divide-in-coping-with-heatwaves.page)

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