SpaceX pretende abastecer Starship no espaço e lançar 1 vez por hora rumo a Marte

SpaceX quer abastecer Starship com nave reserva no espaço e fazer um lançamento por hora; entenda planos para chegar a Marte

SpaceX planeja abastecer Starship em órbita e reduzir tempo entre lançamentos

A SpaceX, empresa de exploração espacial fundada por Elon Musk, ambiciona realizar um feito inédito em 2026: reabastecer a nave Starship diretamente no espaço. A iniciativa visa permitir que a espaçonave alcance destinos mais distantes, como Marte. Com esse propósito, a companhia pretende conectar duas naves, sendo que uma delas funcionaria como reservatório de combustível para a outra, que seguirá viagem.

Objetivos e estratégias para o futuro

A visão da SpaceX não se restringe apenas aos voos espaciais. A empresa tem a intenção de transformar a Starship em um meio de transporte entre continentes, de forma a superar a velocidade dos aviões comerciais. Com essa inovação, o tempo de voo entre Los Angeles e Tóquio, por exemplo, cairia de 11 horas para menos de 30 minutos.

Durante uma apresentação realizada em 25 de agosto, a SpaceX revelou detalhes de sua segunda tentativa de lançar a Starship. A missão finalmente ocorreu um dia após a data prevista, devido a condições climáticas adversas. O sucesso do voo foi considerado um progresso importante rumo ao desenvolvimento do primeiro veículo espacial completamente reutilizável.

Reabastecimento em órbita

A empresa divulgou um vídeo ilustrando o procedimento de reabastecimento em órbita. As naves se posicionariam lado a lado, e um conector especial permitiria a transferência de combustível. A nave adicional, especificamente designada para essa função, transportaria uma quantidade significativa de combustível, permitindo à Starship principal focar na carga da missão.

Segundo Musk, a transferência de propelente em órbita é uma técnica inédita, mas essencial para o envio de grandes cargas a Marte. O empresário destacou que, embora a SpaceX já tenha acoplado repetidamente com a Estação Espacial Internacional, a transferência de combustível no espaço ainda é um desafio não realizado.

O objetivo é transportar, no futuro, um milhão de toneladas de carga para Marte, o que exigiria mais de 6 mil voos, considerando a capacidade atual da Starship de 150 toneladas. Musk reforça que uma cidade autossustentável em Marte necessita de uma base industrial abrangente, para que o planeta sobreviva sem abastecimento contínuo da Terra.

Aumentando a frequência de lançamentos

A SpaceX visa otimizar a frequência dos lançamentos, reduzindo para 30 a 40 minutos o tempo necessário para reabastecer o propulsor Super Heavy. Este componente é crucial para impulsionar a Starship inicialmente, antes de retornar ao solo em cerca de cinco minutos.

O plano é realizar lançamentos a cada hora, um ritmo impressionante para um veículo de tal magnitude. Para alcançar essa meta, a SpaceX pretende expandir sua capacidade de produção, com uma nova fábrica e um complexo de armazenamento e reparo na Flórida, denominado Gigabay. Estas instalações terão 75 mil metros quadrados, 11 vezes o tamanho do espaço atual no Texas, e estão previstas para serem concluídas até o final de 2026.

Outro desafio destacado é o desenvolvimento de um escudo térmico reutilizável para a Starship. A SpaceX aposta em testes frequentes para aprimorar essa tecnologia e evitar grandes reparos entre os lançamentos.

No entanto, a alta frequência de lançamentos proposta pela SpaceX enfrenta críticas. Concorrentes que operam no Cabo Canaveral temem que suas operações sejam impactadas pela intensa movimentação da Starship.

Viagens intercontinentais em minutos

Além das missões espaciais, a SpaceX enxerga a Starship como uma potencial revolução no transporte terrestre, capaz de realizar voos entre continentes em menos de 40 minutos. Um voo de Nova York a Singapura, que normalmente dura 21 horas, poderia ser reduzido para apenas meia hora. Viagens dos EUA para a Europa poderiam durar menos de 10 minutos. Isso seria possível porque a nave viajaria a 25 vezes a velocidade do som, cerca de 30 vezes mais rápido que um avião comercial tradicional.

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Foto de Felipe Rabello

Felipe Rabello

Felipe é um dos editores do Guia Região dos Lagos.

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