Rio registra alarmante aumento de assassinatos de mulheres, diz Atlas da Violência

Rlagos Noticias

Aumento de Homicídios contra Mulheres no Rio de Janeiro em 2023

O estado do Rio de Janeiro ocupou o primeiro lugar no crescimento de homicídios contra mulheres no Brasil em 2023. De acordo com dados do Atlas da Violência 2025, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) junto ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram registrados 334 homicídios femininos, um acréscimo de 32% em relação ao ano anterior. O estudo destacou que a maioria das vítimas, 61%, eram negras, revelando a questão racial como um aspecto significativo da violência de gênero na região.

Contrapondo esta realidade, o panorama nacional apresentou estabilidade na taxa de homicídios femininos e uma queda nos índices em 15 estados do Brasil. A pesquisa baseou-se em informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, incluindo mortes resultantes de agressões, ações legais e operações de guerra.

O Debate sobre Feminicídio e Dados Divergentes

Apesar de a pesquisa não diferenciar entre homicídio e feminicídio, Marilha Boldt, presidente da Comissão de Combate à Violência contra a Mulher da OAB-RJ, destacou que os casos de feminicídio costumam ser antecedidos por um ciclo de violência que se inicia de forma psicológica. Segundo ela, “Sem combater a origem, ficaremos enxugando gelo”, alertando para a necessidade de ações preventivas.

Em resposta, o governo do Rio de Janeiro contestou os achados do Atlas, apontando dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) que indicaram uma queda de 14,8% nos homicídios de mulheres entre 2023 e 2024. Além disso, a administração estadual relatou atingir, em 2024, o menor número de mortes violentas desde 1991, com uma redução de 10,8% em comparação ao ano anterior.

Caso Impactante em Búzios

Um caso que chamou atenção nacional foi o brutal assassinato da argentina Florencia Aranguren, de 31 anos, ocorrido em Búzios, na trilha da Praia de José Gonçalves. A vítima foi atacada com 18 facadas, principalmente na região do pescoço, e morreu no local. Carlos José de França, autor do crime, recebeu uma condenação de 33 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado.

Ao chegar ao Brasil três dias antes do ataque, Florencia tinha o sonho de se estabelecer no país. O laudo de necropsia revelou que ela tentou se defender das agressões, mas sofreu lesões fatais na artéria carótida e na veia jugular direita, com o DNA do agressor sendo encontrado sob suas unhas.

Durante o julgamento, o juiz Danilo Marques Borges destacou a brutalidade do ato, afirmando que Florencia foi assassinada por ser mulher, enfatizando que sua vulnerabilidade física facilitou o ataque. A defesa do condenado apresentou recurso contra a sentença.

Este contexto de violência crescente contra mulheres no Rio de Janeiro levanta questões urgentes sobre políticas de segurança pública e a necessidade de medidas efetivas para combater a violência de gênero e racial em todo o país.

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Foto de Editorial GRDL

Editorial GRDL

Editorial do Guia Região dos Lagos

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