Rio das Ostras: Centro Cultural Afro sofre ataques e gera revolta na comunidade

Terreiro e Ponto de Cultura Afrocentrado COMAC sofre ataques em Rio das Ostras — RC24H

## Terreiro de Rio das Ostras é alvo de ataques e levanta debate sobre racismo religioso

### Incidentes em série preocupam comunidade do bairro Bela Vista

Entre os dias 19 e 21 deste mês, o Terreiro e Ponto de Cultura Afrocentrado COMAC, localizado no bairro Bela Vista, em Rio das Ostras, foi vítima de repetidos ataques que expuseram questões de racismo religioso. Os episódios envolvem um morador da região que, segundo relatos, é policial.

As primeiras ações contra o local começaram com o retrovisor de um carro sendo quebrado, seguido por pichações no muro do terreiro no dia seguinte. Na manhã do dia 21, as agressões culminaram com o arremesso de pedras, acompanhado de ofensas e ameaças de cunho racial.

### Denúncias e providências das autoridades

Claudia KFaiet, líder do espaço cultural, relatou os eventos em uma transmissão nas redes sociais. Segundo ela, o agressor, ao se identificar como policial, afirmou que as suas ações não teriam consequências. A chegada da Polícia Militar ao local interrompeu o tumulto. O homem foi retirado em uma ambulância devido a um alegado “surto psiquiátrico”, conforme comunicado pelos policiais presentes. A ocorrência foi formalizada na Delegacia de Rio das Ostras.

### Reação do terreiro e críticas ao tratamento do caso

Em resposta aos acontecimentos, o COMAC divulgou uma nota oficial criticando o tratamento recebido pelas autoridades. A declaração enfatizou a busca por responsabilização judicial: “O agressor é policial e foi retirado do local por uma ambulância, mostrando o tratamento diferenciado que é dado a ele em comparação aos nossos em qualquer lugar dessa cidade. Não aceitaremos subornos ou tentativas de silenciamento. Nossa conversa será na Justiça. Racismo é crime e deve ser punido, independentemente de patente.”

A nota ainda aborda o contexto histórico de discriminação enfrentado por religiões de matriz africana, rejeitando qualquer tentativa de apagamento cultural e destacando a necessidade de resistência frente às agressões.

### Apoio da Fundação de Cultura

A situação também gerou repercussão na Fundação Rio das Ostras de Cultura, que emitiu uma nota de repúdio aos ataques. A instituição declarou sua posição contrária a qualquer forma de preconceito, destacando que os crimes de discriminação religiosa e racial são passíveis de reclusão e multa. “A Fundação repudia qualquer ato de preconceito e violência em razão de religião, raça, gênero e orientação sexual”, diz o comunicado.

### Reflexões sobre a sociedade e o combate ao racismo

Os ataques ao terreiro em Rio das Ostras refletem problemas estruturais em uma sociedade que ainda luta para combater o racismo e promover a tolerância religiosa. A resposta robusta das comunidades afro-brasileiras e das instituições culturais é um passo importante para garantir que tais atos não sejam esquecidos e que a justiça seja devidamente aplicada.

A situação em Rio das Ostras serve como um lembrete urgente da importância de políticas públicas que protejam espaços culturais e garantam o direito à liberdade religiosa. Além disso, evidencia a necessidade de debates sociais que abordem profundamente a questão do racismo estrutural no país.

Fonte da Notícia: Guia Região dos Lagos

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Editorial GRDL

Editorial do Guia Região dos Lagos

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