As embalagens de produtos como refrigerantes, shampoos e alimentos geram emissoes de carbono em toda a cadeia — da extracao de materia-prima ao descarte. Para as fabricantes, essas emissoes sao classificadas como Escopo 3, ou seja, fora da operacao direta, mas dentro da cadeia de valor.
Nos ultimos anos, muitas empresas reduziram o peso das embalagens, trocaram materiais e criaram sistemas de refil. Essas acoes sao importantes, mas ainda deixam uma parcela de emissoes residuais ligadas aos materiais que continuam circulando na economia.
A pergunta central e: o que fazer com essas emissoes que persistem? A reciclagem surge como uma solucao climatica, pois ao substituir materia-prima virgem por material reciclado, evita-se novas emissoes. Contudo, para valer no mercado de carbono, e necessario comprovar o processo — pesar, classificar, rastrear e destinar corretamente cada material.
A SBTi, principal referencia global em metas climaticas, reforca que as empresas devem priorizar acoes na propria cadeia de valor, em vez de comprar creditos de carbono genericos. Para embalagens, isso significa que o credito mais coerente e aquele que financia a coleta, triagem e reciclagem de materiais semelhantes aos que a empresa coloca no mercado.
O Brasil tem grande oportunidade nesse cenario: milhares de pessoas vivem da coleta e reciclagem, mas o pais recicla muito menos do que poderia. Creditos de carbono da reciclagem podem gerar recursos para melhorar a infraestrutura, remunerar a cadeia e aumentar o volume de material reciclado, ao mesmo tempo que ajudam empresas a reduzir emissoes de forma transparente.
No fim, a ideia e que o credito de carbono nao seja apenas um instrumento de compensacao, mas sim uma ferramenta para transformar sistemas reais — especialmente o de residuos. Se a emissao nasce da embalagem, a mitigacao mais justa e rastreavel deve vir da circularidade da propria embalagem.
Fonte: Ciclo Vivo







