Banco Itaú realiza demissões em massa após avaliação de trabalho remoto
Na última segunda-feira, o Banco Itaú anunciou a demissão de cerca de mil funcionários, com base na análise da produtividade em home office. Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, as dispensas ocorreram após uma “revisão criteriosa” dos registros de desempenho dos colaboradores.
Uso de tecnologias de monitoramento remoto
De acordo com informações fornecidas pelo sindicato, o banco utilizou o programa de monitoramento remoto XOne para avaliar a produtividade dos funcionários. Esse software é capaz de rastrear o uso do teclado e do mouse, além de verificar a participação dos colaboradores em chamadas de vídeo, cursos à distância e envio de mensagens. No entanto, o XOne não realiza captura de tela ou gravações de áudio e vídeo, como esclarecido por uma reportagem.
O software é instalado nos computadores corporativos e coleta dados sobre a atividade online dos funcionários. Dependendo da configuração aplicada, pode monitorar se os funcionários cumprem a jornada de trabalho estipulada ou se há um período elevado de inatividade. Além disso, o sistema pode identificar a localização dos colaboradores e a lista de sites e programas acessados.
Funcionamento e implicações do XOne
O XOne fornece aos gestores um painel com índices de produtividade individual e coletivo. Em materiais de divulgação, a ferramenta se apresenta como uma solução para oferecer “insights valiosos” que podem aumentar a concentração e reduzir a dispersão em tarefas diárias. Contudo, o Itaú não é a única empresa a empregar tais tecnologias. Outras ferramentas, como o Time Doctor e o Teramind, também prometem melhorar a eficiência de equipes e detectar eventuais fraudes em atividades de trabalho remoto.
Legalidade e questionamentos do monitoramento
O monitoramento em computadores corporativos é legal no Brasil desde que feito com transparência, proporcionalidade e finalidades legítimas, conforme explicou a advogada trabalhista Luana Couto Bizerra. Ela pontuou, contudo, que basear avaliações apenas na movimentação de mouse e teclado pode resultar em dados distorcidos sobre a produtividade, considerando que várias tarefas não exigem interação constante com o computador.
O Itaú afirmou que o monitoramento segue as políticas internas assinadas pelos funcionários e é regulamentado por acordos com sindicatos. Mesmo assim, o Sindicato dos Bancários criticou as demissões, alegando que o banco desconsiderou a complexidade do trabalho remoto. A entidade destacou ainda que muitos trabalhadores foram desligados sem prévia advertência ou chance de se defenderem.
Repercussão e debate sobre home office
O ambiente corporativo tem passado por transformações significativas com a popularização do home office, especialmente após a pandemia. Ferramentas de monitoramento, como o XOne, têm suscitado debates acalorados sobre privacidade e os limites do controle patronal. O caso do Itaú ilustra os desafios que empresas e trabalhadores enfrentam na busca por um equilíbrio entre produtividade e bem-estar no trabalho remoto.
Embora a adoção de ferramentas de monitoramento possa se justificar pela necessidade de garantir a eficiência e a segurança das operações, é crucial que as empresas ponderem sobre o impacto dessas práticas na relação com seus colaboradores. Este caso específico do Itaú acendeu discussões sobre as práticas de gestão no home office e as medidas que podem ser tomadas para otimizar a produtividade sem comprometer a confiança e o respeito mútuo entre empregadores e empregados.
Fonte da Notícia: [Guia Região dos Lagos](https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2025/09/12/monitoramento-de-funcionarios-coleta-dados-sobre-mouse-localizacao-e-mais.ghtml)







