Primatas se expressam com frases elaboradas, revela nova pesquisa

Primatas se comunicam usando frases complexas, diz estudo

Bonobos e a Comunicação Vocal Avançada

Bonobos se comunicando em seu habitat natural
Foto: Lukas Bierhoff | Projeto de Pesquisa de Bonobos de Kokolopori

Os bonobos, também denominados chimpanzés pigmeus, demonstram a capacidade de se comunicar através de combinações complexas e significativas de chamados, semelhante às estruturas que encontramos na linguagem humana. Essa conclusão é resultado de um estudo publicado no Journal Science, que desafia a noção de que somente os seres humanos possuem tal habilidade comunicacional.

Uma equipe de pesquisadores de instituições renomadas, incluindo Harvard e a Universidade de Zurique, conduziu estudos focados no comportamento vocal de bonobos na Reserva Comunitária de Kokolopori, na República Democrática do Congo. Employando métodos inovadores oriundos da linguística, foi possível demonstrar pela primeira vez que, assim como na linguagem humana, a comunicação vocal entre os bonobos é grandemente baseada na capacidade de combinar palavras ou vocalizações.

Os cientistas observam que esses primatas utilizam chamadas significativas em frases em que o significado está intrinsecamente ligado ao sentido das palavras e à forma como elas são organizadas.

Bonobos usando chamadas
Tupac, um bonobo jovem, coçando a cabeça. Foto: Lukas Bierhoff, Projeto de Pesquisa de Bonobos de Kokolopori

Desenvolvendo um Dicionário de Chamadas de Bonobos

Para o início do processo, os pesquisadores aplicaram um método desenvolvido por linguistas que permite quantificar o significado das palavras em nossa linguagem. “Isso possibilitou a criação de um dicionário de bonobos, que consiste em uma lista abrangente dos chamados utilizados pela espécie e o que cada um deles representa”, declarou Mélissa Berthet, pesquisadora de pós-doutorado no Departamento de Antropologia Evolutiva da UZH e a principal investigadora do estudo.

“Esse avanço é significativo para compreendermos a comunicação em outras espécies, pois é a primeira vez que conseguimos mapear o significado dos chamados no repertório vocal de um animal“, explicou Mélissa. As combinações identificadas foram simples, onde duas vocalizações se somam em seu significado, e complexas, em que uma vocalização altera o significado da outra.

Após a elucidação dos significados das vocalizações individuais, o próximo passo dos pesquisadores foi investigar como as chamadas poderiam interagir entre si, utilizando a técnica emprestada da linguística.

“Com nossa metodologia, conseguimos quantificar como as combinações de chamadas simples e as combinações mais complexas se relacionam”, mencionou Simon Townsend, professor da UZH e um dos autores principais do estudo.

Bonobo vocalizando
Mia, uma jovem bonobo da comunidade Fekako, vocalizando em resposta a membros distantes do grupo. Foto: Martin Surbeck, Projeto de Pesquisa de Bonobos de Kokolopori

Os pesquisadores identificaram diversas combinações de chamados que possuem notáveis semelhanças com as estruturas linguísticas complexas que observamos na linguagem humana. “Isso indica que a habilidade de combinar chamados de formas complexas pode não ser tão exclusiva para os humanos quanto acreditávamos anteriormente”, analisou Mélissa Berthet.

Os resultados obtidos nesta pesquisa sugerem que existem elementos fundamentais da linguagem que são evolutivamente mais antigos do que previamente imaginado.

Uma importante consequência deste estudo é a nova perspectiva que ele oferece sobre as origens evolutivas da natureza composicional da linguagem.

Biodiversidade de primatas
Foto: Pixabay

O professor de Harvard, Martin Surbeck, coautor da pesquisa, observa que como humanos e bonobos compartilham um ancestral comum que viveu entre 7 e 13 milhões de anos atrás, ambas as espécies mantêm muitas semelhanças devido à descendência, sendo a capacidade de combinar palavras uma delas.

Os resultados indicam que a habilidade de criar significados complexos a partir de unidades vocais menores já existia muito antes do desenvolvimento da linguagem humana e que a comunicação vocal dos bonobos possui mais semelhanças com a linguagem humana do que se imaginava.

“Este estudo sugere que nossos ancestrais já utilizavam a composicionalidade de maneira bastante extensa há pelo menos 7 milhões de anos, se não há mais tempo”, finalizou Simon Townsend.

Considerações Finais sobre a Pesquisa

Macaco interagindo com resíduos humanos
Foto: Eirik Skarstein | Unsplash

Através da exploração das características de outras espécies, é evidente que ainda há um vasto universo desconhecido em relação à complexidade do mundo natural, do qual a humanidade faz parte. Infelizmente, a única habilidade que se pode afirmar ser exclusiva da “mais inteligente das espécies” pode ser a degradação do planeta que habitamos, compartilhando-o com outras formas de vida.

Fonte: Guia Região dos Lagos

Ajude-nos e avalie esta notícia.

Use os botões abaixo para compartilhar este conteúdo:

Facebook
Twitter
Telegram
WhatsApp