Plataforma de Elon Musk é multada no Canadá por não remover foto íntima de mulher

União Europeia vai impedir dona do Facebook de usar dados pessoais em anúncios - 06/12/2022

Plataforma de Elon Musk Enfrenta Sanções no Canadá por Imagem Íntima Não Removida

No Canadá, uma decisão judicial levou a plataforma X, controlada pelo empresário Elon Musk, a enfrentar sanções após descumprir uma ordem de remoção de imagem íntima não consensual. O vice-presidente do tribunal, Eric Regehr, determinou que a imagem fosse retirada, mas a empresa não atendeu à exigência, conforme aponta um parecer subsequente.

Geocercamento como Solução Temporária

Em vez de remover a imagem, que estava sendo divulgada de forma repetitiva por um usuário, a plataforma optou por uma estratégia de geocercamento. Essa abordagem permitiu que usuários fora do Canadá ainda tivessem acesso e pudessem compartilhar a imagem, desconsiderando parcialmente a ordem judicial.

Justificativas e Repercussões Legais

Embora os argumentos completos apresentados pela X ao tribunal não sejam públicos, a decisão de Regehr revela que a empresa alegou que o tribunal não possuía autoridade para obrigá-la a restringir ou remover a disponibilidade online de imagens fora da Colúmbia Britânica. Contudo, Regehr descartou essa argumentação, afirmando que a posição da plataforma poderia levantar dúvidas sobre se a legislação da província ultrapassaria os limites constitucionais no Canadá.

Questões Constitucionais e Cumprimento de Ordens

Em seu despacho, Regehr salientou não ter autoridade para considerar argumentos constitucionais. Ele destacou que a questão do cumprimento da ordem era direta: a X foi instruída a remover a imagem, mas não o fez, optando por uma solução menos rigorosa, demonstrando, assim, desobediência à ordem de proteção.

Proteção de Dados e Divulgação Pública

A decisão do tribunal também garantiu a proteção do nome e dados pessoais da mulher envolvida, impedindo sua divulgação. Apesar de decisões do Tribunal de Resolução Cível geralmente não serem públicas, Regehr optou por publicar sua ordem devido ao ineditismo da penalização de um intermediário da internet como a plataforma X. Em sua justificativa, mencionou que a mulher vive com a consciência de que muitas pessoas ao redor do mundo ainda podem visualizar a imagem na plataforma.

Este caso ressalta a complexidade das questões legais envolvendo a responsabilidade das plataformas digitais em contextos internacionais e a proteção dos direitos individuais em um mundo cada vez mais interconectado. A decisão do tribunal canadense pode abrir precedentes sobre como a legislação local será aplicada às empresas globais que operam na internet.

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Foto de Felipe Rabello

Felipe Rabello

Felipe é um dos editores do Guia Região dos Lagos.

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