Poluição plástica alarmante ameaça ecossistemas e saúde na Amazônia, aponta estudo
Um estudo revelador conduzido pela Fiocruz Amazônia, em colaboração com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, acende um alerta sobre a preocupante contaminação por plásticos na vasta região amazônica. A pesquisa expõe como os resíduos plásticos estão presentes tanto em ecossistemas aquáticos quanto terrestres, trazendo à tona riscos potenciais à saúde humana, especialmente para comunidades vulneráveis, como indígenas e ribeirinhos.
Ausência de reciclagem agrava crise ambiental no Amazonas
Os dados divulgados chamam atenção para uma realidade preocupante: não há municípios no interior do Amazonas que ofereçam reciclagem de plásticos ou adotem medidas efetivas para mitigar seu impacto. Os pesquisadores destacam a falta de políticas públicas eficazes na gestão de resíduos, que intensificam a crise ambiental e os desafios sociais na região.
Com infraestrutura inadequada para a coleta de lixo, muitas comunidades continuam a descartar resíduos em rios e igarapés. O que antes era predominantemente lixo orgânico agora inclui garrafas PET, embalagens plásticas e até resíduos industriais, navegando pelos rios amazônicos.
Micro e nanoplásticos: um desafio ainda subestimado
A poluição por microplásticos e nanoplásticos, embora já perceptível, ainda é subdimensionada pela ciência e pelas políticas públicas. A pesquisa publicada na revista internacional AMBIO destaca que, sem intervenções urgentes, o problema tende a crescer exponencialmente. Jesem Orellana, epidemiologista e coordenador do estudo, aponta que a dimensão do impacto pode ser maior do que se imagina, com 52 estudos revisados evidenciando a presença de plásticos em diversos ambientes do bioma amazônico.
Primeira revisão científica estruturada sobre poluição plástica na Amazônia
Intitulado “Plastic pollution in the Amazon: the first comprehensive and structured scoping review”, o estudo é reconhecido como a primeira revisão cientificamente estruturada sobre a poluição plástica na Amazônia. Utilizando o protocolo internacional PRISMA-ScR, a pesquisa reforça a necessidade urgente de atenção para os ecossistemas amazônicos.
Orellana ressalta a importância de discutir os resultados do estudo em um momento em que as Nações Unidas pressionam por um tratado global para combater a poluição plástica. “O dia 14 de agosto marcou o prazo para que cerca de 180 países concluíssem a elaboração do primeiro tratado mundial contra a poluição plástica, tornando o momento propício para debatermos os resultados intrigantes desta revisão de escopo”, completou.
Necessidade de estudos sobre nanoplásticos e seus riscos à saúde
Jéssica Melo, bióloga e primeira autora do artigo, chama a atenção para a maior bacia hidrográfica do mundo: a Amazônia. Ela destaca a aparente escassez de estudos focados na poluição plástica na região, em comparação com ambientes marinhos. Melo alerta para os riscos que a contaminação por plástico representa para a saúde das comunidades tradicionais, enfatizando a necessidade de pesquisas adicionais e a implementação de estratégias eficazes de gestão de resíduos.
Uma problemática que ultrapassa fronteiras
A pesquisa também destaca que a poluição plástica na Amazônia não se limita a uma questão regional. Transportados pelos rios amazônicos, os resíduos alcançam os oceanos, transformando-se em uma crise ambiental de escala global. Isso exige uma resposta coordenada entre diferentes nações, governos locais e comunidades para enfrentar esse desafio.
Em Tefé, município no interior do Amazonas, a falta de políticas adequadas e infraestrutura agrava ainda mais a situação. Orellana destaca que enquanto grandes cidades brasileiras adotam políticas para eliminar plásticos de uso único, como canudos e embalagens de isopor, no interior do Amazonas, a reciclagem ainda é uma realidade distante. Para combater o acúmulo crescente de lixo plástico na região, são necessárias políticas públicas que considerem o isolamento e os desafios locais.
Fonte da Notícia: [Guia Região dos Lagos](https://ciclovivo.com.br/planeta/meio-ambiente/plasticos-invadem-a-amazonia-e-ameacam-saude-humana/)







