# Programa Bikeatona Transforma Periferias Brasileiras por Meio da Bicicleta
Em 2025, o projeto Bikeatona renovou seu compromisso ao longo dos 14 anos do Instituto Aromeiazero, objetivando fortalecer a bicicleta como ferramenta de transformação social nas periferias brasileiras. Patrocinada por um grande banco, a iniciativa entrou em uma nova fase, ampliando seu alcance. Nesta edição, dez projetos foram selecionados para uma imersão virtual de oito dias, onde receberam mentorias sobre bicicleta, impacto social, sustentabilidade financeira e comunicação digital. Cada iniciativa recebeu um auxílio de R$ 2.000 para facilitar a participação. Ao término da imersão, os projetos apresentaram suas propostas, e cinco deles, um por região do Brasil, foram premiados com R$ 10.000 para impulsionar suas ações.
## Impacto nos Territórios
Nos últimos dias, estivemos em algumas dessas localidades para acompanhar as ações premiadas. Mais do que visitas técnicas, foram momentos de escuta e presença. Estar fisicamente nesses ambientes revela nuances que nenhum relatório pode capturar, como as dinâmicas comunitárias, os desafios e as potências locais.
Em Niterói, no bairro de Maria Paula, testemunhamos o Projeto Social Pedalar, que oferece formação em manutenção de bicicletas para jovens. O projeto não só capacita crianças e adolescentes, mas também doa equipamentos, criando oportunidades de aprendizado e geração de renda. A entrega das bicicletas foi um evento comunitário, com famílias reunidas, roda de samba e feira de empreendedores locais.
## Atividades Regionais
Em Campo Grande, o Dkebrada Bike CG, um projeto independente de jovens, promove encontros de “grau” com cerca de cem jovens, transformando o espaço em um ambiente seguro de convivência e expressão cultural. Este tipo de evento, muitas vezes criminalizado, reforça o esporte e o lazer como direitos urbanos.
Na cidade de Manaus, visitamos o projeto NƗRAƗRIDE, no assentamento indígena urbano. Promovido pela Associação Ciclística Pedala Manaus junto com o Instituto Witoto, a iniciativa articula ações educativas e de compartilhamento de bicicletas, sendo principalmente articulada por mulheres líderes. A forte presença local da bicicleta promove autonomia e preservação cultural.
Recife também viu mobilização com a Recifemanguebike, que une ciclismo e mobilização comunitária. Durante o evento, jovens mapearam rotas seguras para os cicloentregadores, transformando a mobilidade em incidência política.
## Mobilização em Salvador
Por último, em Salvador, o projeto Maloca Green, com foco no público negro e LGBTQIAPN+, realiza oficinas de pedal, segurança, mecânica básica e grafite, além de almoço comunitário. A articulação com lideranças locais foca no desenvolvimento econômico comunitário por meio da mobilidade.
## A Bicicleta como Ferramenta de Transformação
Atravessando diferentes contextos — de densas periferias urbanas a assentamentos indígenas —, fica claro que não existe uma única periferia ou uma forma única de pedalar. A bicicleta assume significados diversos, de instrumento de trabalho a símbolo de resistência.
Para o Instituto Aromeiazero, a presença em campo é crucial para fortalecer redes e ajustar planejamentos. Mesmo enfrentando desafios como infraestrutura precária e conflitos internos, a bicicleta se estabelece como ferramenta poderosa: simples, acessível e coletiva.
Em suma, pedalar nas periferias brasileiras é um ato político. É disputar espaço urbano, construir alternativas e criar redes de cuidado e colaboração. A bicicleta transforma ruas em salas de aula, palcos culturais e rotas de trabalho.
Seguimos pedalando junto, reforçando essa cartografia viva da bicicleta — uma cartografia feita de pessoas, territórios e futuros possíveis.
Fonte da Notícia: [Ciclo Vivo](https://ciclovivo.com.br/colunistas/pedalar-e-resistir-vivencias-da-bikeatona-nas-periferias-brasileiras/)








