Novo projeto de lei pode frear plano de Lula para IA, aponta estudo polêmico

Presidente Lula e ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação Luciana Santos durante evento para lançar o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, em 2024

### Debate sobre o Projeto de Lei de Inteligência Artificial no Brasil

O governo brasileiro, por meio de João Brant, secretário de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, defende que o atual Projeto de Lei de Inteligência Artificial (PL da IA) não impõe obstáculos significativos ao desenvolvimento da inteligência artificial no país. Segundo Brant, avaliar uma regulação com base no número de obrigações é insustentável.

#### Comparações com Outras Regulações

Brant estabelece uma comparação com o Código Brasileiro de Trânsito, que contém 341 artigos, enfatizando que o número de obrigações não determina a qualidade de uma legislação. Ele critica a metodologia de um estudo que soma obrigações de diferentes agentes e classifica algumas operações como de alto risco sem justificativas claras. Além disso, aponta que certas operações tratadas como inteligência artificial generativa ainda não estão definidas na legislação vigente.

#### Visão Jurídica sobre a Regulação da IA

Tainá Aguiar Junquilho, secretária da comissão especial para inteligência artificial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e professora do IDP, também questiona a ideia de que o PL da IA possa impedir a inovação. Segundo sua análise, o estudo em questão identifica um total de 68 obrigações, divididas entre várias áreas. Ela enfatiza que uma IA generativa terá apenas nove obrigações a seguir, questionando se isso realmente impediria o Brasil de avançar em inovação e infraestrutura tecnológica, como a construção de data centers.

#### Contexto Internacional e Desafios Regulatórios

O debate sobre a regulação da inteligência artificial ganha uma nova perspectiva com a contribuição de Lawrence Lessig, professor de Harvard, durante sua visita ao Supremo Tribunal Federal (STF) em maio. Lessig, um dos pioneiros do direito digital, reconhece o Brasil como um exemplo em potencial ao seguir modelos de negócios digitais para desenvolver regulações voltadas às plataformas digitais.

Tainá Aguiar Junquilho destaca que a falta de regulação geral cria um cenário fértil para a implementação de leis locais, como as já vistas em estados brasileiros como Goiás, Paraná e Curitiba. Segundo ela, a ausência de uma regulação uniforme resulta em um “caos regulatório”.

#### Reflexão sobre Regulações Globais

João Brant critica a expressão “freio regulatório” por considerá-la inadequada ao contexto da legislação sobre IA. Ele menciona que obrigações, como a de não discriminar uma pessoa por sua origem racial, são medidas necessárias e não devem ser vistas como barreiras ao desenvolvimento de tecnologias.

#### Considerações Finais

O debate em torno do PL da IA continua a provocar reflexões sobre o equilíbrio entre inovação e segurança regulatória. Enquanto alguns especialistas alertam para o risco de excessiva regulamentação, outros sustentam que normas bem elaboradas são essenciais para garantir um desenvolvimento tecnológico responsável e inclusivo no Brasil.

**Fonte da Notícia:** [Guia Região dos Lagos](https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2025/07/07/nova-lei-pode-travar-plano-de-lula-para-ia-avalia-estudo-controverso.htm)

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Foto de Felipe Rabello

Felipe Rabello

Felipe é um dos editores do Guia Região dos Lagos.

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