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### Impasse nas Negociações para Tratado Global sobre Plásticos em Genebra
Em um cenário de expectativa global, as negociações em Genebra, na Suíça, visando a criação de um tratado internacional para o combate à poluição plástica, encerraram-se nesta sexta-feira (15) sem que se alcançasse um consenso. O encontro, que ocorreu no Palais des Nations, sede da ONU, contou com a participação de representantes de 185 países, mas não obteve sucesso em romper o impasse entre as nações.
#### Divergências Entre Blocos
A divisão entre os países ficou evidente. De um lado, a Coalizão de Alta Ambição, que inclui a União Europeia, Reino Unido, Canadá, além de países africanos e latino-americanos, buscou pressionar por cortes na produção de plásticos e o banimento de substâncias químicas prejudiciais. Em contraposição, grupos liderados por produtores de petróleo como Arábia Saudita e Rússia, preferiram limitar o escopo do tratado à gestão de resíduos.
O Brasil, anfitrião da COP30 e detentor de uma rica biodiversidade, adotou uma postura equilibrada, focando na relação entre ações e financiamento, sem apoiar cortes drásticos na produção de plásticos. No entanto, recebeu críticas por não endossar medidas mais ambiciosas.
#### O Papel da Indústria e o Impacto Global
A produção mundial de plásticos é alarmante, com mais de 400 milhões de toneladas anuais, metade destinada a produtos de uso único. A reciclagem ainda é um desafio, com apenas 9% dos resíduos sendo reciclados, enquanto grande parte termina em aterros ou sem tratamento adequado, poluindo o ambiente.
O WWF, uma das vozes ativas nas negociações, ressaltou que enfrentar a poluição plástica envolve confrontar a poderosa indústria de combustíveis fósseis, destacando que os principais produtores de petróleo bloquearam progressos significativos.
#### Pressões Externas e Desilusões
Os Estados Unidos também receberam críticas por se alinharem aos produtores de petróleo, dificultando o avanço das negociações. Inger Andersen, diretora-executiva do PNUMA, destacou a complexidade do multilateralismo e o desafio de estabelecer um tratado em um curto prazo.
Líderes como Emmanuel Macron, presidente da França, alertaram sobre os riscos de um acordo frágil que não aborde todo o ciclo de vida do plástico. A decepção foi partilhada por países insulares do Pacífico, que enfrentam riscos ambientais sérios.
Ana Rocha, da Aliança Global para Alternativas a Incineradores, refletiu a frustração geral, afirmando que sem um tratado eficaz, os esforços serão em vão.
#### Caminhos para o Futuro
As negociações para o Tratado de Plásticos, iniciadas em 2022, permanecem sem previsão de continuidade, aumentando o sentimento de incerteza global. Apesar disso, avanços foram feitos em áreas como a limitação da produção de plástico virgem, harmonização de design de produtos e responsabilidade do produtor.
Pedro Prata, da Fundação Ellen MacArthur, comentou sobre os desafios futuros, reiterando a importância de um tratado global para evitar a poluição contínua dos ecossistemas. A urgência de ações concretas é inegável, considerando que aproximadamente 22 milhões de toneladas de plástico são despejadas na natureza anualmente, afetando solos, oceanos e cadeias alimentares.
A expectativa agora recai sobre a próxima rodada de negociações, onde será crucial alcançar um consenso que possa efetivamente frear a crise do plástico, garantindo um futuro mais sustentável.
Fonte da Notícia: Guia Região dos Lagos
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