Meta aconselhada a abandonar projeto de óculos de reconhecimento facial

Óculos espiões? Meta é pressionada a enterrar projeto de reconhecimento facial

Organizações pressionam a Meta a desistir de reconhecimento facial em óculos inteligentes

Em uma ação inédita, mais de 70 organizações, que vão de grupos de defesa da privacidade a entidades contra a violência doméstica e de proteção a imigrantes, exigiram que a Meta cancele seus planos de implementar tecnologia de reconhecimento facial nos óculos inteligentes Ray-Ban e Oakley.

Objetivo do projeto e preocupações associadas

Internamente apelidado de “Name Tag”, o projeto visava transformar os óculos em dispositivos de escaneamento facial. O sistema permitiria que, ao olhar para uma pessoa, um assistente de inteligência artificial pesquisasse perfis públicos nas redes sociais para identificar o indivíduo. Em uma versão ainda mais intrusiva, esse recurso poderia identificar pessoas desconhecidas que não têm vínculo nas redes sociais da Meta.

Os ativistas alertam que essa tecnologia poderia ser uma ferramenta perigosa nas mãos de perseguidores, abusadores e autoridades federais, como o Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), permitindo a identificação de indivíduos sem que estes saibam que estão sendo monitorados.

Documentos vazados e reação das organizações

Documentos internos vazados revelaram que a Meta planejava lançar o “Name Tag” em um ambiente político propício, acreditando que organizações da sociedade civil estariam ocupadas lidando com outras crises. Essa estratégia foi criticada duramente pelos ativistas, que classificaram a tática como “vil”.

O Electronic Privacy Information Center (EPIC) já havia solicitado, anteriormente, que a Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) e autoridades estaduais bloqueassem o projeto. Com o apoio de uma coalizão de grupos, a pressão sobre a Meta aumenta.

Demandas das agências

As organizações não se limitam a pedir o cancelamento do “Name Tag”. Elas exigem que a Meta revele qualquer uso dos óculos em incidentes de perseguição e violência doméstica, divulgue conversas com o ICE e a Alfândega sobre o uso dos dispositivos e consulte especialistas em privacidade antes de implementar funções de identificação biométrica em seus produtos.

Os grupos afirmam que “indivíduos não deveriam viver sob o temor de que um perseguidor ou agente federal possa, silenciosamente, descobrir sua identidade e cruzar informações sobre seus dados pessoais, como saúde, religião ou hábitos”.

Privacidade ameaçada a continuar

Os atuais óculos inteligentes da Meta já geram controvérsias, uma vez que apenas uma pequena luz indica que estão gravando, o que é fácil de ser disfarçado. Com o reconhecimento facial em tempo real, a privacidade em espaços públicos pode ser seriamente prejudicada, afetando desde manifestações até espaços sensíveis como clínicas, templos religiosos e abrigos.

Resposta da Meta e das fabricantes

Até o momento, a Meta não comentou a situação. A fabricante das lentes, EssilorLuxottica, também optou por não se manifestar. Enquanto isso, a batalha sobre o futuro do monitoramento em locais públicos continua.

Fonte da Notícia: Guia Região dos Lagos

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Felipe Rabello

Felipe é um dos editores do Guia Região dos Lagos.

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