Justiça inocenta PMs em caso de homicídio ligado a conflito agrário de 2020 em São Pedro da Aldeia

EXCLUSIVO: Justiça absolve PMs acusados de homicídio em conflito agrário de alta repercussão em São Pedro da Aldeia; caso aconteceu em 2020

Absolvição Histórica em São Pedro da Aldeia: Réus são Inocentados no Caso de Homicídio de Trabalhador Rural

Após quase 40 horas de julgamento, marcado como o mais longo da história de São Pedro da Aldeia, os réus Ênio Alves Leão, Matheus Canellas Ramos e Renato da Silva Brás foram absolvidos por unanimidade pelo Tribunal do Júri no caso da morte do trabalhador rural Carlos Augusto Gomes, conhecido como “Mineiro”, ocorrida em 2020. O veredicto foi alcançado após intensas discussões que atravessaram duas madrugadas consecutivas, numa decisão que ecoou pela Região dos Lagos e chamou a atenção nacional.

O Contexto do Julgamento

A defesa do policial militar Ênio Alves Leão ficou a cargo dos advogados Dr. Peterson Girão e Dr. Carlos Magno. Matheus foi representado por Dr. Saulo Moraes, enquanto Renato contou com uma equipe formada por Dra. Caroline Albuquerque, Dr. João Ricardo e Dra. Juliana Dionízio. Do outro lado, a acusação foi robusta, com quatro promotores de Justiça da Capital tentando estabelecer a culpabilidade dos réus através de depoimentos e laudos. Contudo, a defesa prevaleceu ao demonstrar a ausência de provas conclusivas e levantar suspeitas sobre a possível participação de um terceiro envolvido, identificado apenas como “Tião”, que não foi devidamente investigado.

Os Detalhes do Caso

O conflito, que culminou na morte de Carlos Gomes, remonta a um embate envolvendo policiais militares fora de serviço, trabalhadores rurais e um fazendeiro, todos disputando um território na Fazenda Negreiros. A fazenda já havia sido parcialmente desapropriada para reforma agrária, sob a supervisão do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Na ocasião, os policiais alegaram legítima defesa após serem hospitalizados em decorrência dos confrontos. Um dos policiais, inclusive, passou 40 dias em coma.

Relembre o Evento

No fatídico dia 8 de fevereiro de 2020, um enfrentamento armado no Acampamento Emiliano Zapata, próximo ao assentamento Adhemar Moreira, resultou na morte do trabalhador rural Carlos Augusto Gomes. As investigações subsequentes apontaram os policiais e o fazendeiro como possíveis responsáveis pelo homicídio. No entanto, durante o julgamento, a tese de que os acusados agiram em legítima defesa foi aceita pelo Conselho de Sentença, culminando na absolvição.

Desdobramentos e Repercussão

O fazendeiro envolvido foi preso em flagrante no mesmo dia, sob a acusação de posse ilegal de armas, após tentar se desfazer de um arsenal em sua casa ao perceber a aproximação policial. Entre os itens apreendidos, estavam revólveres, espingardas, coletes e até uma touca ninja. A motivação para o crime, segundo as investigações, estaria ligada à disputa agrária e ao interesse pela posse das terras da fazenda.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que acompanhou o desenrolar dos eventos, divulgou uma nota à época, exigindo rigor na apuração dos fatos e prestando solidariedade à família de Carlos Gomes. A disputa territorial e o conflito entre os grupos na Fazenda Negreiros tiveram grande repercussão na mídia e entre ativistas da causa agrária.

Conclusão do Caso

Cinco anos após o drama que agitou São Pedro da Aldeia, o julgamento encerrou um dos episódios mais emblemáticos e longos da história jurídica da cidade. O advogado Peterson Girão celebrou o resultado, classificando-o como uma vitória após uma longa e árdua batalha judicial. Com a decisão, o caso da morte de Mineiro chega ao fim, embora a história continue viva na memória daqueles que acompanharam o desenrolar dos acontecimentos.

Fonte da Notícia: Plantão Guia Região dos Lagos

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Editorial GRDL

Editorial do Guia Região dos Lagos

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