Júri absolve PMs após 5 anos por morte de membro do MST em São Pedro da Aldeia

Após cinco anos de processo, júri absolve PMs acusados de matar integrante do MST em São Pedro da Aldeia — RC24H

Após Extensa Sessão, Júri de São Pedro da Aldeia Absolve Policiais Acusados de Matar Integrante do MST

Após 40 horas de deliberações intensas no Fórum de São Pedro da Aldeia, o Tribunal do Júri decidiu, por unanimidade, absolver três policiais militares acusados de envolvimento na morte de Carlos Augusto Gomes, conhecido como “Mineiro”, integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O processo, que teve início em 2020, ganhou notoriedade nacional devido às suas complexas implicações agrárias e às alegações de execução sumária.

Conflito de Terra em São Pedro da Aldeia

O episódio trágico ocorreu em julho de 2020 no Acampamento Emiliano Zapata, situado na Fazenda Negreiros, uma área marcada por disputas de posse entre agricultores e o proprietário do terreno. Conforme investigações da Polícia Civil, a origem do conflito se deu há aproximadamente 15 anos, quando parte daquela propriedade foi desapropriada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e entregue a famílias assentadas.

Na ocasião, o dono da terra, Matheus Canellas Ramos, se dirigiu ao local em companhia dos policiais militares Renato da Silva Bráz e Ênio Alves Leão, todos fora de serviço. As investigações revelaram que o trio teria participado de um ataque ao acampamento, que resultou em um incêndio e Mineiro sendo atingido por quatro tiros. O Ministério Público alegava que a ação foi uma retaliação ao movimento de ocupação.

Defesa Baseada em Legítima Defesa

Durante o julgamento, a defesa dos militares apresentou a tese de legítima defesa, argumentando que a versão dos fatos apresentada pelo Ministério Público era frágil. Alegaram, ainda, que um dos policiais chegou a permanecer em coma por 40 dias após o incidente. A linha de defesa também mencionou um terceiro envolvido, identificado apenas como “Tião”, que teria sido peça-chave no confronto, mas nunca investigado formalmente. A ausência de evidências técnicas definitivas e as contradições nos testemunhos contribuíram significativamente para a decisão de absolvição dos réus.

Prisão e Julgamento dos Envolvidos

Inicialmente, os três acusados foram presos temporariamente. Matheus Canellas foi detido em seu apartamento, onde a polícia encontrou armas, munições, um capuz, um colete e um adesivo da Polícia Federal. Já os policiais foram presos no Hospital Estadual Roberto Chabo (HERC), em Araruama, após terem sido feridos no confronto. No decorrer do processo, as decisões judiciais resultaram na soltura dos três.

O veredicto do Tribunal do Júri de São Pedro da Aldeia encerra um dos julgamentos mais extensos e polêmicos da história recente da comarca, trazendo alívio para os acusados, mas mantendo a dor da perda para os familiares de Carlos Augusto Gomes. A decisão gera precedentes importantes para casos envolvendo disputas agrárias e violência no campo, uma realidade persistente não apenas em São Pedro da Aldeia, mas em várias localidades do Brasil.

Fonte da Notícia: Guia Região dos Lagos

Ajude-nos e avalie esta notícia.
Foto de Editorial GRDL

Editorial GRDL

Editorial do Guia Região dos Lagos

Use os botões abaixo para compartilhar este conteúdo:

Facebook
Twitter
Telegram
WhatsApp