Instituto Albatroz realiza soltura de pinguins resgatados na Região dos Lagos
Na manhã da última segunda-feira (6), 16 pinguins-de-Magalhães que foram reabilitados pelo Instituto Albatroz retornaram ao mar. O evento ocorreu na costa de Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Esses exemplares foram resgatados nas praias de Cabo Frio, Búzios e Arraial, em uma operação que faz parte do Projeto de Monitoramento de Praias (PMP-BC/ES), uma exigência do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Ibama em parceria com a Petrobras.
Reabilitação e retorno ao habitat natural
Pinguins que chegam desgastados às praias brasileiras durante o outono e inverno, especialmente os jovens e inexperientes, são acolhidos pelo Instituto Albatroz. Eles iniciam sua jornada a partir das colônias na Patagônia Argentina em busca de alimento em águas mais quentes, o que os leva ao litoral do Brasil. Durante esse percurso, diversos desafios, como a interação com petrechos de pesca e a poluição marinha, podem agravar sua situação.
O Centro de Reabilitação e Despetrolização (CRD) do instituto, localizado em Arraial do Cabo, desempenha um papel crucial nesse processo. “É um momento único”, afirma a médica veterinária Daphne Goldberg, responsável técnica pela instituição, ao descrever a emoção envolvida na ação de soltura coletiva dos animais. Ela destaca a importância do acompanhamento de uma equipe multidisciplinar que inclui veterinários, biólogos e tratadores.
Cuidados intensivos e preparação para a soltura
Os pinguins resgatados chegam, em muitos casos, em estado crítico, apresentando magreza acentuada, hipotermia e fraqueza. No CRD, eles passam por um intensivo processo de reabilitação que inclui aquecimento, administração de fluidos e uma dieta especial para recuperação nutricional. Esse tratamento intensivo permite que as aves aumentem significativamente de peso, em até 60%, durante a fase de recuperação.
Exames laboratoriais e de imagem são realizados durante todo o processo de tratamento. Antes de serem liberados, os pinguins recebem microchips subcutâneos e transmissores satelitais para monitoramento. Essas medidas ajudam no estudo a longo prazo de seus padrões migratórios e saúde.
Cuidados ao avistar um pinguim nas praias
A população local desempenha um papel importante no cuidado com os pinguins. Recomenda-se que, ao avistar um desses animais nadando, as pessoas não tentem retirá-los da água, pois podem estar apenas descansando. Caso encontrem pinguins na areia, também não devem devolvê-los ao mar, alimentá-los ou colocá-los em gelo ou água fria. É importante lembrar que os pinguins-de-Magalhães buscam temperaturas mais amenas.
Diante de qualquer avistamento, a recomendação é entrar em contato com a equipe do Projeto de Monitoramento de Praias pelo telefone 0800 991 4800, aplicável também a outros animais marinhos encontrados nas praias.
O papel do Instituto Albatroz e o projeto de monitoramento
O Instituto Albatroz é uma organização sem fins lucrativos dedicada à conservação de albatrozes e petréis nas águas brasileiras desde 2003. Em parceria com o poder público e empresas pesqueiras, coordena o Projeto de Monitoramento de Praias em 25 praias ao longo de 54 quilômetros de litoral, abrangendo Cabo Frio, Búzios e Arraial do Cabo. A iniciativa, patrocinada pela Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental, visa atender a condicionantes do licenciamento ambiental das atividades de produção e escoamento de petróleo e gás natural.
Com bases operacionais em outras cidades do Brasil, como Santos, Itajaí e Florianópolis, a organização continua seu compromisso com a preservação ambiental e a promoção de ações de conscientização junto à comunidade.
Fonte da Notícia: [Guia Região dos Lagos](https://guiaregiaodoslagos.com.br/)







