Indígenas propõem criação de zonas livres de combustíveis fósseis em Brasília
Brasília, 9 de abril de 2026 – Em um gesto significativo contra a exploração de combustíveis fósseis, lideranças indígenas de todo o Brasil reuniram-se na capital federal para apresentar uma proposta ambiciosa ao Ministério das Relações Exteriores. O documento clama pelo fim da expansão de petróleo e gás, defendendo, entre outras medidas, a criação de “Zonas Livres de Combustíveis Fósseis” (FFZs).
Proposta inovadora para enfrentar a crise climática
Durante o Acampamento Terra Livre, um dos maiores encontros de líderes indígenas do Brasil, o documento foi entregue a representantes do governo. Nesta proposta, os indígenas destacam a urgência de se criar medidas concretas para limitar o aquecimento global a 1,5°C, como recomenda o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e outras instituições renomadas.
Além disso, o documento conecta-se a um conjunto mais amplo de esforços para impulsionar a transição energética, harmonizando-se com a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) Indígena do Brasil de 2025. Estes esforços são cruciais para a construção de um “mapa do caminho global para além dos combustíveis fósseis”.
Encerramento da exploração fóssil
Entre as medidas prioritárias apresentadas, destaca-se o fim imediato da abertura de novos campos de petróleo, gás e carvão. A ideia é firmar um acordo global vinculante que elimine progressivamente tais combustíveis, reconhecendo que a continuidade desses projetos representa riscos não apenas climáticos, mas também econômicos, ao aumentar a probabilidade de ativos encalhados.
O documento enfatiza que a crise climática já está impactando diversos setores, incluindo a produção de alimentos, saúde e segurança econômica das nações. “O custo da inação cresce a cada dia”, alerta a proposta.
Proposta de Zonas Livres de Combustíveis Fósseis
A proposta central do documento é a criação de FFZs, áreas onde a exploração de petróleo, carvão e gás seria proibida, especialmente em regiões de alta relevância cultural e ecológica, como a Amazônia. Esta iniciativa reflete experiências internacionais, como a decisão do Equador de suspender a exploração no Parque Nacional Yasuní.
As lideranças indígenas sublinham que essas zonas devem somar-se a instrumentos já existentes de proteção, como áreas protegidas e terras indígenas, reforçando a importância desses territórios na preservação climática e da biodiversidade.
Terras indígenas como protagonistas na preservação ambiental
A proposta também coloca as terras indígenas no centro das discussões sobre o enfrentamento da crise climática. Estudos apontam que esses territórios são mais eficazes na preservação do meio ambiente, apresentando menores taxas de desmatamento.
“Não há transição energética justa sem a garantia dos nossos territórios”, afirma Dinamam Tuxá, coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Tuxá destaca a importância da demarcação e proteção das terras indígenas como formas eficazes de mitigação da crise climática.
Com uma mensagem clara de que enfrentar a crise climática exige mais do que inovações tecnológicas, mas uma redefinição das relações entre economia, território e direitos, o documento busca influenciar negociações internacionais e traçar um novo paradigma de desenvolvimento.
Fonte da Notícia: Guia Região dos Lagos








