Governo Lula fecha acordo para internet de concorrente da Starlink

Helton Simões Gomes

Parceria Sino-brasileira Visa Conectar Escolas com Tecnologia Inédita

A Telebras, em colaboração com o Ministério das Comunicações, firmou um memorando de entendimento com a SpaceSail, companhia vinculada ao governo de Xangai, para trazer ao Brasil uma tecnologia inovadora de conexão à internet destinada a escolas. O início das operações no país está planejado para o último trimestre de 2026, com a promessa de conectar parte das instituições de ensino através de infraestrutura chinesa.

Expansão dos Satélites em Órbita Baixa

Em dezembro de 2025, a SpaceSail solicitou à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) autorização para operar 648 satélites no território brasileiro ao longo de 15 anos, com o objetivo de lançar 15 mil satélites até 2030. Esses satélites estarão posicionados em órbita baixa, entre 500 km e 1,5 mil km da Terra, similar à estratégia utilizada pela Starlink, de Elon Musk, empresa que domina 73% do mercado de internet via satélite no Brasil.

Concorrência no Mercado de Internet

SpaceSail e Starlink devem disputar o mesmo nicho de mercado no Brasil, abrangendo desde conexões residenciais até contratos corporativos e governamentais. Curiosamente, embora a Starlink seja líder no setor, não é considerada uma alternativa para o projeto de conexão de escolas.

Com um amplo público já fidelizado entre pessoas físicas, a Starlink, segundo Hermano Tercius, enfrenta limitações para suprir sozinha a demanda escolar. “Ela sozinha também não seria o suficiente”, pontuou o especialista.

Estrategias do Governo para Conectar Escolas

A internet via satélite é vista como uma solução estratégica para conectar áreas remotas, onde a infraestrutura tradicional de telecomunicações não chega. Nesse contexto, a Telebras desempenha um papel crucial na meta do governo federal de conectar 138 mil escolas públicas.

Os leilões de conexão promovidos pela Entidade Administradora da Conectividade de Escolas (EACE), criada em 2022, também são uma peça central nesse esforço. A EACE administra os recursos provenientes das operadoras como parte das obrigações do leilão do 5G.

Além disso, o financiamento de pequenos provedores regionais é incentivado por meio do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST), que alcançou R$ 3,2 bilhões em investimentos no ano de 2025.

Desafios e Perspectivas Futuras

O memorando de entendimento com a SpaceSail representa uma tentativa de diversificar as opções tecnológicas e reduzir a dependência de um único fornecedor para internet via satélite. Contudo, o sucesso dessa estratégia dependerá da rápida implementação das operações e da capacidade da Telebras e parceiros em integrar essas tecnologias aos sistemas já existentes.

A parceria sino-brasileira abre novas possibilidades para o avanço tecnológico e educacional no Brasil, prometendo uma revolução na conectividade de escolas, especialmente em regiões de difícil acesso. Com isso, aposta-se que a qualidade do ensino nas redes públicas possa ser significativamente melhorada, contribuindo para uma educação mais inclusiva e igualitária.

A medida também reflete o crescente interesse do Brasil em estreitar laços comerciais e tecnológicos com a China, ampliando o leque de parcerias internacionais no setor de telecomunicações e além.

Fonte da Notícia: [Guia Região dos Lagos](https://www.uol.com.br/tilt/colunas/helton-simoes-gomes/2026/01/30/governo-lula-costura-contratacao-de-internet-satelital-rival-a-da-starlink.htm)

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Foto de Felipe Rabello

Felipe Rabello

Felipe é um dos editores do Guia Região dos Lagos.

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