Criminosos podem explorar suas fotos nas redes sociais para fraudes financeiras?
As tecnologias de reconhecimento facial tornaram-se cada vez mais comuns em rotinas cotidianas, como a entrada em prédios ou academias. No entanto, essa crescente coleta de imagens preocupa especialistas, que alertam para os possíveis riscos de vazamentos, caso não sejam armazenadas com segurança. Fotos postadas nas redes sociais ou capturadas para acessar condomínios poderiam ser utilizadas para enganar sistemas de reconhecimento e, por exemplo, solicitar empréstimos bancários?
Vulnerabilidades na verificação facial
Segundo especialistas, a fraude fica mais fácil se o mecanismo de verificação dos aplicativos não utilizar a chamada “prova de vida” (ou “liveness detection”), que exige movimentos do rosto para reconhecimento. Apesar disso, a “prova de vida” sozinha não garante total segurança, sendo essencial combiná-la com outros métodos de autenticação para confirmar que a pessoa é realmente quem diz ser.
Em casos investigados envolvendo o uso do gov.br, criminosos utilizaram fotos, vídeos e até máscaras para burlar o reconhecimento facial, sendo identificados como “rostos vivos”. Normalmente, imagens comuns não são suficientes para fraudes desse tipo. Contudo, quando combinadas com dados como nome, CPF, e-mail, entre outros, os riscos aumentam.
Uma estratégia frequente é o golpe do “número novo” no WhatsApp, em que fraudadores se passam por conhecidos da vítima com um número desconhecido, começando com mensagens como “Anote meu número novo” e levando a pedidos de dinheiro.
Soluções e recomendações de segurança
Para mitigar fraudes, muitos serviços têm adotado o “liveness detection”. Principalmente em aplicativos bancários, o usuário é instruído a aproximar o rosto, piscar ou virar a cabeça na frente da câmera, confirmando que está fisicamente presente. Esta tecnologia é crucial para impedir que fotos, vídeos ou máscaras sejam usadas para acessar sistemas de reconhecimento facial, segundo a Microsoft.
A Amazon explica que o reconhecimento facial funciona mapeando a geometria do rosto, analisando a distância entre os olhos, profundidade das cavidades oculares, entre outros pontos. Esses dados são usados tanto para verificar a identidade quanto para detectar tentativas de fraude. Micaella Ribeiro, especialista em cibersegurança, destaca que tecnologias modernas, como o Face ID da Apple, analisam entre 68 e mais de 100 pontos faciais.
Combinando reconhecimento facial com outras autenticações
Apesar de eficaz, o reconhecimento facial idealmente deve ser combinado com outros métodos em ambientes sensíveis, como bancos, segundo Micaella Ribeiro. Com a ascensão de softwares de inteligência artificial que geram vídeos sintéticos, os sistemas de reconhecimento facial enfrentam novas ameaças, adverte Rafael Zanatta. Vídeos criados a partir de uma única foto já são uma realidade, e sem investimentos em autenticação avançada e múltiplos sistemas de verificação, empresas podem se tornar alvos de fraudes.
Como se proteger?
Os golpes com imagens faciais são cada vez mais frequentes. Em maio, suspeitos foram flagrados usando manipulação facial para acessar dados do gov.br. Já em junho, a Polícia Civil do Rio de Janeiro desmantelou um grupo que aplicava fraudes em aposentados do INSS, usando selfies para abrir contas bancárias e conseguir empréstimos.
Para evitar que suas fotos sejam usadas, especialistas recomendam monitorar o CPF através do site do Banco Central, utilizando o serviço Registrato. Além disso, é crucial ativar a autenticação de dois fatores em serviços que disponibilizam essa camada de proteção, sugere o professor Rudolf Theoderich Buhler. Tornar os perfis nas redes sociais privados também oferece proteção adicional, limitando o acesso de desconhecidos.
Fonte da Notícia: [Guia Região dos Lagos](https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2025/07/26/entenda-se-golpistas-conseguem-usar-suas-fotos-nas-redes-para-burlar-o-reconhecimento-facial.ghtml)








