Estudo revela: ser multitarefa é uma ilusão que prejudica a produtividade

'Fazer muita coisa ao mesmo tempo é uma grande falácia': neurocientista explica efeitos de ser 'multitarefa'

Neurocientista da USP Desvenda a Falácia das Multitarefas no Cérebro Humano

No recente episódio de um popular podcast, o neurocientista Fernando Gomes, conhecido por seu trabalho na Universidade de São Paulo, revela os efeitos prejudiciais de uma rotina multitarefa para o cérebro humano. Em conversa com a apresentadora, ele esclarece que a crença de conseguir realizar múltiplas tarefas simultaneamente é uma grande falácia.

Os Limites do Cérebro Humano

Gomes, que também atua como neurocirurgião, destaca que o cérebro pode lidar com até nove tarefas abertas simultaneamente, mas alerta: “Quando executamos várias coisas ao mesmo tempo, o resultado final dificilmente é melhor do que quando nos concentramos em uma tarefa por vez”. Essa abordagem multitarefa provoca um significativo gasto metabólico, exigindo mais oxigênio e glicose e obrigando o cérebro a redirecionar o fluxo sanguíneo de forma intensiva.

Consequências a Longo Prazo

O neurocientista elucida que esse contínuo redirecionamento de foco resulta em cansaço e exaustão cerebral. Ele enfatiza que a estimulação constante, como a navegação extensa em redes sociais, pode comprometer a memória de longo prazo e o aprendizado. Gomes cita ainda um estudo de 2009 da Universidade Stanford que aponta que indivíduos multitarefas frequentemente enfrentam problemas de atenção seletiva e memorização.

O Preço da Atenção Excessiva

Realizar várias atividades ao mesmo tempo eleva o estado de alerta do cérebro, desencadeando a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e liberando mais adrenalina no organismo. Isso leva a uma percepção temporária de maior atenção, mas a exposição prolongada pode resultar em níveis crescentes de cortisol, o hormônio do estresse. “Pensamos que ser multitarefa é sinal de heroísmo, mas na verdade estamos sobrecarregando nosso cérebro”, explica Gomes.

A Importância do Sono e da “Faxina Mental”

Durante a conversa, Fernando Gomes ressalta a importância vital do sono para a saúde cerebral. “O sono é um período mágico para o cérebro”, afirma ele, explicando que enquanto dormimos, o cérebro organiza as experiências recentes e realiza uma limpeza crucial dos tecidos cerebrais por meio do sistema glinfático, eliminando neurotoxinas.

Além disso, o neurocientista argumenta a favor de momentos sem estímulos, que chama de “faxina mental”. “É essencial entender que precisamos de pausas para processar e descarregar informações acumuladas”, observa ele. Essa pausa permite ao cérebro renovar-se e reduzir a sobrecarga cognitiva.

Repercussões no Dia a Dia

Especialistas em saúde mental alertam para o crescente problema do “cérebro sobrecarregado” na era digital atual, onde a multiplicidade de tarefas e a incessante exposição às mídias sociais são comuns. Compreender os limites e necessidades do cérebro é crucial para manter a saúde mental e a eficiência no dia a dia.

Diante desse cenário, repensar a forma como gerenciamos nossas tarefas diárias pode ser essencial para minimizar impactos negativos à saúde cerebral e melhorar a qualidade de vida. Como sugere Gomes, talvez seja hora de dizer ‘não’ à pressão por produtividade constante.

Fonte da Notícia: Guia Região dos Lagos

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Foto de Felipe Rabello

Felipe Rabello

Felipe é um dos editores do Guia Região dos Lagos.

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