Respiração Profunda: Nova Pesquisa Revela Sensações Psicodélicas no Cérebro
Um estudo recente conduzido por pesquisadores no Reino Unido revelou que técnicas de respiração profunda podem induzir estados mentais semelhantes aos causados por substâncias psicodélicas, como a psilocibina. Este estado alternativo de consciência, descrito inicialmente por Freud, é caracterizado por sentimentos de bem-aventurança, despersonalização positiva e uma sensação de unidade.
Exercícios de Respiração e Neuromodulação
Nos últimos anos, técnicas respiratórias, como a respiração de alta ventilação e holotrópica, têm se tornado estratégias populares para atenuar intensos medos, estresse, ansiedade e desamparo. No entanto, a forma como essas práticas afetam profundamente o cérebro ainda permanece em grande parte um mistério.
Visando elucidar esse fenômeno, a pesquisadora Amy Amla Kartar, da Brighton and Sussex Medical School, liderou um estudo que analisou o fluxo sanguíneo cerebral durante sessões de respiração de 20 a 30 minutos acompanhadas por música. “Realizar esta pesquisa foi uma experiência fantástica”, comentou Kartar à revista PLOS, onde os resultados foram publicados. Apesar do reconhecimento popular dos benefícios desses exercícios à saúde, a ciência lhes dedicou pouca atenção até então.
Descobertas do Estudo
A pesquisa foi realizada em colaboração com o Dr. Alessandro Colossanti, diretor do Laboratório Colossanti de Neurociência Clínica. O estudo envolveu 15 participantes online, 8 no laboratório e 19 que realizaram exames de ressonância magnética, todos submetidos ao mesmo protocolo de respiração e música. Os resultados destacaram que a intensidade das experiências prazerosas e psicodélicas estava ligada à ativação do sistema nervoso simpático cardiovascular, evidenciada pela redução na variabilidade da frequência cardíaca.
Além disso, observou-se uma redução significativa no fluxo sanguíneo no opérculo esquerdo e na ínsula posterior, regiões do cérebro associadas à percepção interna do corpo, inclusive a respiração. Por outro lado, houve um aumento no fluxo sanguíneo para a amígdala direita e o hipocampo anterior, áreas cruciais para o processamento de memórias emocionais.
Implicações e Perspectivas Futuras
Essas alterações no fluxo cerebral se assemelham às observadas em indivíduos sob efeito de experiências psicodélicas, sugerindo que podem estar por trás dos benefícios reportados pelos participantes. Durante as sessões, os voluntários relataram redução do medo e de emoções negativas, sem efeitos adversos, experiências que correspondem à sensação de “Imensidão Oceânica” de Freud, caracterizada por unidade, espiritualidade e bem-aventurança.
A música desempenhou um papel crucial no experimento, embora ainda seja incerto se sozinha poderia induzir estados mentais tão profundos. Os autores recomendam que futuras pesquisas incluam amostras maiores e investiguem mais a fundo a contribuição do conteúdo musical.
Uma Promessa Terapêutica
“O trabalho respiratório é uma poderosa ferramenta natural para neuromodulação, regulando o metabolismo do corpo e do cérebro”, afirmou o Dr. Colossanti. Ele destacou o potencial dessa prática como intervenção terapêutica transformadora para condições frequentemente debilitantes.
A contínua exploração dos efeitos neurológicos do trabalho respiratório pode abrir novas possibilidades terapêuticas para o tratamento de distúrbios mentais e emocionais, ampliando a compreensão dos mecanismos que regulam nosso estado mental.
Fonte da Notícia: Guia Região dos Lagos







