### Reconhecimento à Ciência e Saberes Tradicionais no Brasil
No último dia 23 de setembro, a Casa Fasano, em São Paulo, foi palco de uma cerimônia memorável com a entrega do Prêmio Fundação Bunge 2025, que há 70 anos celebra avanços científicos e sociais no Brasil. O evento deste ano foi marcado pela valorização da integração entre ciência moderna e saberes tradicionais como estratégia chave para enfrentar a crise climática.
#### Homenagens e Categorias
Nesta edição, quatro personalidades de destaque foram homenageadas em duas categorias distintas: Vida e Obra, com um prêmio de R$ 200 mil, e Juventude, com premiação de R$ 80 mil. As contribuições dos laureados abarcam temas como “Saberes e práticas dos povos tradicionais” e “Gestão do risco climático na produção de alimentos”.
Cláudia Buzzette Calais, diretora-executiva da Fundação Bunge, destacou o papel do prêmio em inspirar a combinação entre inovação científica e tradições ancestrais para a criação de soluções eficazes frente aos desafios climáticos. Segundo ela, o reconhecimento é fruto de um processo criterioso de indicação e avaliação realizado por universidades e entidades científicas brasileiras, que selecionam os profissionais cuja atuação tem impactado positivamente o desenvolvimento das ciências no Brasil.
#### Trajetórias de Destaque
Entre os homenageados, **Dzoodzo Baniwa**, educador e líder indígena do povo Baniwa, foi reconhecido na categoria Vida e Obra. Nascido na Terra Indígena Alto Rio Negro, no Amazonas, Dzoodzo é pioneiro na combinação de educação tradicional indígena e conhecimento formal. Ele foi um dos primeiros estudantes da Escola Indígena Baniwa e Koripako da Pamáali, onde aprendeu a integrar saberes locais com ciência moderna, especializando-se em piscicultura sem formação formal. Esta interseção, segundo ele, atua como um potente meio de resistência cultural e educativa em sua comunidade.
Além disso, Dzoodzo atua como um tradutor intercultural, promovendo o diálogo entre a ciência ocidental e os conhecimentos indígenas milenares. Ele acredita que essa convergência é crucial para a construção de uma sociedade mais inclusiva e para a valorização de múltiplas perspectivas do conhecimento.
Outro destaque é **Ygor Jessé Ramos dos Santos**, premiado na categoria Juventude. Natural do quilombo do Acupe, no Recôncavo Baiano, Ygor sempre prezou pela conexão das suas raízes culturais com a pesquisa científica. Ao ingressar na Universidade Federal da Bahia (UFBA), ele encontrou na fitoterapia um campo de pesquisa promissor, colaborando com o Sistema Único de Saúde (SUS) para integrar práticas tradicionais de uso de plantas medicinais nos tratamentos oferecidos na comunidade.
Ygor, que se doutorou em Biologia Vegetal, segue firme em sua missão de promover o uso consciente de plantas medicinais, liderando projetos que resgatam práticas terapêuticas afro-brasileiras. Além disso, ele trabalha em pesquisas sobre a eficácia da cannabis medicinal, buscando compreender as influências ambientais nas variações químicas da planta e seu uso tradicional.
#### Conclusão e Impacto Social
Ambos os ganhadores representam um exemplo de como o saber tradicional pode ganhar força e relevância quando aliado à pesquisa científica. A cerimônia em São Paulo reforçou a importância de se valorizar a diversidade de pensamento e de se promover um diálogo contínuo entre diferentes formas de conhecimento. Este compromisso não apenas honra as tradições, mas também contribui para soluções inovadoras aos problemas contemporâneos, fortalecendo a ciência brasileira e a identidade cultural do país.
**Fonte da Notícia:** [Guia Região dos Lagos](https://ciclovivo.com.br/inovacao/inspiracao/premiacao-em-sp-reconhece-ciencia-e-saberes-tradicionais/)







