Moda Brasileira Ganha Destaque Internacional, Mas Não Chega ao Público Nacional
O fenômeno da moda conhecido como “Brazilian Core” está conquistando admiradores no exterior, mas ainda não encontrou seu espaço no Brasil. A marca de streetwear Corteiz se destacou ao recriar a camisa da seleção brasileira da Copa de 2002, em uma jogada de marketing que incluiu campanhas em comunidades e a participação de Ronaldo como garoto-propaganda. Apesar do sucesso, os produtos foram comercializados exclusivamente nos Estados Unidos e na Europa, sem chegar ao mercado brasileiro.
Estética Periférica Atraindo Olhares Internacionais
A estética “Brazilian Core” remete a elementos periféricos e tropicais, originários das favelas brasileiras, que têm sido amplamente apropriados por marcas internacionais. O estilo captura a essência da cultura urbana do país, transformando símbolos genuinamente brasileiros em produtos de moda que encantam consumidores estrangeiros. Segundo especialistas, essa apropriação muitas vezes não inclui um diálogo com o público local, que é a fonte da inspiração.
Campanhas Nas Favelas e Incentivo ao Consumo
Na estratégia da Corteiz, a escolha de favelas para suas campanhas publicitárias não foi por acaso. As comunidades representam a essência da estética “Brazilian Core”, e a decisão de filmar nessas localidades adicionou autenticidade às ações de marketing. Além disso, a participação de Ronaldo, ícone do futebol mundial, fortaleceu a campanha, atraindo a atenção do público internacional. Entretanto, mesmo com essa forte conexão cultural, os produtos não foram disponibilizados no Brasil, levantando discussões sobre a verdadeira intenção por trás dessas ações de marketing.
Apropriação Cultural ou Valorização?
O caso da Corteiz abre espaço para um debate sobre a apropriação cultural. Há a percepção de que símbolos brasileiros são utilizados para conquistar atenções fora do país, mas sem que haja um retorno cultural ou econômico para o Brasil. A prática de lançar produtos no exterior, sem considerar o mercado brasileiro, pode ser vista como uma exploração das culturas periféricas, que são convertidas em tendências globais sem que os criadores originais sejam beneficiados.
Reflexões e Perspectivas Futuras
Para muitos, a questão reside em encontrar um equilíbrio que permita a valorização desses elementos culturais enquanto se promove uma inclusão genuína dos criadores brasileiros no processo. Isso significa não apenas vender internacionalmente, mas também considerar o impacto e as oportunidades no mercado local.
A crescente popularidade da estética “Brazilian Core” ressalta a importância de um diálogo mais inclusivo e consciente na moda. Ao reconhecer e incorporar mais ativamente os criadores e suas comunidades de origem, há potencial para um mercado mais justo e representativo. A expectativa é que, no futuro, essas iniciativas de moda não apenas levem a imagem do Brasil para o mundo, mas também tragam benefícios diretos para a população que inspira essas tendências.
Fonte da Notícia: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2025/10/21/brazil-core-a-estetica-periferica-e-tropical-que-faz-sucesso-entre-estrangeiros.ghtml







